Os princípios de um casamento bem sucedido segundo Jane Austen

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Jane Austen

O tema desta Conversa com Escritores Mortos é o casamento. Para discorrer sobre ele, convidamos a romancista inglesa Jane Austen, autora de Orgulho e Preconceito, Razão e Sensibilidade e Emma, entre outros.

Na sua época, minha cara Miss Austen, era comum que as mulheres ignorassem os homens que amavam – porque expressar interesse não era decente. O que acha sobre isso?

Às vezes é desvantajoso ser muito reservada. Se uma mulher esconde seus sentimentos do objeto de sua afeição, pode acabar perdendo a oportunidade de conquistá-lo.

Então a senhorita não considera inteligente a tática de fingir desinteresse somente para despertar o interesse alheio?

Uma ligeira preferência é bastante natural, mas são poucos os que tem coragem o suficiente para amar sem receber algo em troca.

O que fazer, então?

Em nove a cada dez casos, a mulher deve mostrar mais afeição do que sente.

A senhorita acha prudente esperar algum tempo antes do casamento, para que o casal se conheça mais profundamente?

Se duas pessoas se casassem um mês depois de terem se conhecido, acredito que teriam tanta probabilidade de ser felizes quanto se passassem um ano estudando o caráter um do outro.

A felicidade no casamento é apenas uma questão de sorte. Mesmo que os noivos conheçam de antemão as tendências um do outro, e que estas sejam semelhantes, sua felicidade posterior não estará garantida.

Eles acabarão e tornando suficientemente diferentes para que experimentem seu quinhão de amargura – e o melhor é conhecer o mínimo possível os defeitos da pessoa com a qual passaremos o resto de nossas vidas.

Nos dias de hoje, assim como na sua época, muitos homens e mulheres se casam por motivos financeiros. O que a senhorita acha disso?

Quando se vive em sociedade, um homem ou uma mulher casar-se por dinheiro é comum demais para chocar alguém como deveria. Pessoas que não se amam – ou estimam – não deveriam se casar. Qualquer coisa é preferível ou suportável a um casamento sem afeição.

O que a senhorita entende por um casamento feliz?

Um casamento feliz é baseado na mútua compreensão e em temperamentos semelhantes.

A senhorita pode nos oferecer um exemplo de algum de seus livros?

Jane Bennet e Charles Bingley. Ambos são tão tolerantes que jamais tomariam resoluções definitivas; tão indolentes que todos os criados os enganariam; e tão generosos que sempre gastariam mais do que possuem.

E um casamento infeliz?

Uma felicidade duradoura jamais pertenceria a um casal que somente se unia porque suas paixões eram mais fortes do que suas virtudes.

Quais são as qualidades que a senhorita valoriza em um homem?

A personalidade direta, sincera, arrebatada. Ardor e entusiasmo são qualidades cativantes. Acredito poder confiar muito mais na sinceridade daqueles que às vezes agem ou dizem algo afoito ou inconsequente do que naqueles cuja presença de espírito jamais se altera, cuja língua raramente escorrega. A firmeza é outra característica admirável; o problema de uma personalidade demasiado indecisa e complacente é não se poder confiar na influência exercida sobre ela.

Hmmm…

Mas, como todas as outras qualidades morais, a firmeza deve ter limites. Um temperamento dócil pode, algumas vezes, promover tanta felicidade quanto uma índole por demais determinada.

E os atrativos físicos, são importantes?

Não menosprezo a beleza, mas sei o quão raro é qualquer defeito físico que modos agradáveis não façam, aos poucos, passar para segundo plano.

Miss Austen, a senhorita vê alguma diferença entre o amor que uma mulher sente por um homem e o amor que um homem sente por uma mulher?

Cada um de nós parte de uma ideia preconcebida a favor de nosso próprio sexo, e sobre tal preconceito edificamos todas as circunstâncias favoráveis ocorridas em nosso próprio círculo.

Mas eu mereceria o pior desprezo se ousasse supor que o afeto verdadeiro e a constância fossem vividos apenas pelas mulheres.

O único privilégio que reivindico para meu próprio sexo – o que, por sinal, não é nada invejável – é o de amar por mais tempo quando se foi a existência ou a esperança.

Camila Nogueira

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