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Bolsonaro e Moro: o canibalismo eleitoral da direita

Os canibais da direita

A reação de Jair Bolsonaro, hoje, dizendo que Sergio Moro, como ministro de seu governo, demonstrou que “não aprendeu nada” sobre governar é apenas um sinal de como as baterias bolsonaristas se voltarão contra a possibilidade de que o ex-juiz dispute a eleição presidencial, o que muitos creem que não fará, preferindo disputar, com muita chance, uma vaga de senador pelo Paraná ou até por São Paulo.

É que Moro, embora não tenha força para roubar a vantagem de Bolsonaro na eleição presidencial, com os dados de hoje, vai causar ao atual ocupante do Planalto um severo prejuízo em regiões onde o poderio do bolsonarismo ainda é forte, como o Sul e o Centro Oeste e em segmentos da sociedade onde ainda conserva apoio, como as camadas de renda alta.

E, é claro, São Paulo, estado onde, justo pela razão da renda alta, a força da direita é enorme.

Sem a candidatura Moro, a maioria dos seus possíveis votos se destinaria a Bolsonaro e uma reduzida parcela seria anulado ou partilhada entre candidatos sem chances reais.

No Sul, na pesquisa mais recente – a da Genial/Quaest, divulgada ontem – Moro tem 12% do eleitorado do Sul, 50% a mais do que registra nacionalmente. Se “rouba” 10% do eleitorado que poderia ir para Bolsonaro, tira-lhe mais de 2 milhões de votos, ou 1,5% do eleitorado nacional.

No Centro Oeste, o ex-juiz também trará prejuízos sério ao atual presidente. Embora proporcionalmente menores, será assim por toda a parte.

Por mais que este eleitor de direita, na maioria, “volte” a Bolsonaro num segundo turno, é muito diferente uma campanha curta, na qual se entra com um desvantagem grande, na casa dos 20 pontos ou mais.

Assim, Bolsonaro terá de abrir uma dupla frente: a entre os mais pobres, onde perdeu sustentação e viu a diferença entre a rejeição e a aprovação de seu governo passar de 46 a 20% para 60 x 15% em apenas 5 meses (julho a novembro).

A disputa na classe média alta, na qual, apesar de ter um índice de reprovação crescente (51%) ainda conserva 26% de apoio a seu governo e 32% de intenção de voto, contra uma média nacional de 21%, apenas.

Não pode, portanto, dar-se ao luxo de ignorar Moro, como pode e deve fazer a esquerda, da qual o ex-juiz não tira pedaço.

Fernando Brito

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