Brasil tem quase 1,5 milhões de casos de covid; mais pobres correm o dobro de risco

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A cada dia a morte pelo covid-19 fica mais presente

Em mais um dia em que as confirmações da covid-19 no Brasil ficaram acima de 45 mil, o país se mantém como nação que registra os piores cenários do mundo em 24 horas.

Segundo o Conselho Nacional de Secretarias de Saúde (Conass), entre quarta (1º) e quinta-feira (2), 48.105 novos casos foram registrados.

O total de pessoas que pegaram o vírus desde o início da pandemia é de 1.496.568. De acordo com pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde, a população mais pobre tem o dobro de chances de ser infectada.

O vírus que tirou a máscara da desigualdade social

Atualmente o Brasil contabiliza 61.884 óbitos por causa da covid-19. Em 24 horas, foram 1.252 casos fatais.

A taxa de letalidade está em 4,1%, segundo o Conass. O estudo divulgado pelo Ministério na quinta-feira, feito em parceria com a Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), indica que a cada 100 casos, cerca de um resulta em óbito.

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A pesquisa ouviu mais de 89 mil pessoas em 133 municípios. Por meio de testes rápidos, foi avaliada a proporção da população com anticorpos, ou seja, que tiveram contato com o vírus.

A partir dessa avaliação, os pesquisadores chegaram à conclusão de que o número de infectados é seis vezes maior que os registros oficiais.

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Adesão ao isolamento

Dividido em três fases, entre os dias 14 de maio e 24 de junho, o estudo questionou os entrevistados sobre o distanciamento social. No primeiro período foi possível notar maior adesão à quarenta.

No final de junho, 26% dos participantes disseram sair de casa todos os dias e mais de 54% relataram ir para a rua para atividades essenciais. O estudo não detalhou que tipo de atividades são essas. O índice de pessoas que ficam em casa o tempo todo é de 18,9%.

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Pedro Hallal, professor da Ufpel e coordenador da pesquisa defendeu o isolamento social.

“Como pesquisadores, a nossa recomendação é basicamente a mesma desde o começo do processo. O momento de flexibilizar medidas de isolamento é quando a curva está na descendente. Nós temos evidência de alguns lugares do Brasil nos quais a curva já está na descendente. Nesses lugares nós, como pesquisadores, entendemos que é possível começar um plano de flexibilização. Nos lugares em que curva está claramente ascendente, nós somos contrários à flexibilização.”

Novamente o Secretário-Executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, citou a decisão do Supremo Tribunal Federal, que deu maior poder a estados e municípios nas ações contra a pandemia, para afirmar que a responsabilidade não cabe ao governo federal. “Está decidido pelo Supremo Tribunal Federal que caberá ao gestor local, ao prefeito e ao governador, o estabelecimento do regramento dessas medidas de distanciamento social.”

Élcio Franco não citou o fato de que o próprio presidente da república, Jair Bolsonaro, usa todas as oportunidades que tem desde o início da pandemia para defender o fim do isolamento.

Vale ressaltar que o ministro do STF Luiz Fux já declarou que a decisão do tribunal não exime o poder público federal de definir ações.

Ao contrário de outros países, inclusive da América Latina, o Brasil nunca definiu um plano nacional de quarentena em conjunto com estados e municípios.

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O que é o novo coronavírus?

É uma extensa família de vírus causadores de doenças tanto em animais como em humanos. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), em humanos, os vários tipos de vírus podem provocar infecções respiratórias que vão de resfriados comuns, como a síndrome respiratório do Oriente Médio (MERS), a crises mais graves, como a síndrome respiratória aguda severa (SRAS). O coronavírus descoberto mais recentemente causa a doença covid-19.

Como ajudar quem precisa?

A campanha “Vamos precisar de todo mundo” é uma ação de solidariedade articulada pela Frente Brasil Popular e pela Frente Povo Sem Medo.

A plataforma foi criada para ajudar pessoas impactadas pela pandemia da covid-19. De acordo com os organizadores, o objetivo é dar visibilidade e fortalecer as iniciativas populares de cooperação.

Nara Lacerda

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