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Dallagnol vira meme após renunciar ao Ministério Público para entrar na política

Brasil, Curitiba, PR, 14/09/2016. O procurador da República, Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação-Lava Jato, concede entrevista coletiva para falar sobre o oferecimento de denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Ministério Público Federal (MPF), em Curitiba. Foto: GERALDO BUBNIAK / AGB / ESTADÃO. - Crédito:Geraldo Bubniak/AGB/AE/Código imagem:223619

Seguindo os passos do ex-juiz Sérgio Moro, o procurador da República Deltan Dallagnol, paranaense, 41 anos, renunciou definitivamente ao seu cargo no Ministério Público e deve entrar para a política, disputando uma vaga à Câmara dos Deputados em 2022.

Ex-coordenador e porta-voz da Lava Jato, Dallagnol viveu intensamente os momentos de glória da operação, mas foi desmascarado e deixou a Lava Jato em setembro do ano passado, depois de denúncias de crimes e da divulgação de mensagens suas com Moro e outros procuradores pelo ‘The Intercept Brasil’.

Sua imagem mais controversa é a do powerpoint em que apontava o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como chefe de uma organização criminosa instalada no poder para desviar dinheiro público.

A expectativa é de Dallagnol que se filie ao mesmo partido escolhido por Moro para disputar as eleições do próximo ano, o Podemos, liderado pelo senador Alvaro Dias, também do Paraná, como ambos.

A vontade de entrar para a política não é nova, mas Dallagnol sempre era desencorajado pelos próprios colegas da Lava Jato, que temiam a repetição do que ocorreu na Itália, onde a Operação Mãos Limpas foi trucidada depois que um dos seus principais mentores e coordenadores desviou para a política.

Repercussão
A decisão de Dallagnol repercutiu fortemente nos meios jurídico e político.

“Deltan Dallagnol deixa o MP. Leporello vai servir a Dom Giovanni Moro. Eis outra dupla que nem se sente na obrigação de disfarçar. Ó, gente, mas eles nunca fizeram política, respectivamente, no Judiciário e no Ministério Público, tá? Tudo sempre foi técnico e amor à Justiça”, escreveu Reinaldo Azevedo.

“Moro com filiação partidária e participando do congresso do MBL. Dallagnol saindo do MP para as eleições de 2022. Se alguém tinha dúvidas de que a Lava-jato atuava como um partido político, agora não tem mais. É o juiz ladrão e o seu bandeirinha mostrando suas verdadeiras faces”, publicou o deputado Glauber Braga.

“Moro e Dallagnol devem ser candidatos em 2022. Dia difícil pra turma que ficou anos tentando provar que a Lava Jato não tinha objetivos políticos”, comentou Guilherme Boulos.

O Grupo Prerrogativas, que reúne alguns dos maiores nomes do Direito no Brasil, se manifestou sobre a saída de Deltan Dallagnol da Operação Lava Jato e do Ministério Público. Confira a íntegra da nota:

O grupo Prerrogativas, composto por juristas, professores de Direito e advogados, ante as notícias de filiação político-partidária do ex-juiz Sérgio Moro e de desligamento do procurador da República Deltan Dallagnol dos quadros do Ministério Público, também com finalidade política, vem denunciar publicamente que tais atos representam a consumação de uma manobra criminosa de aproveitamento político do sistema de Justiça.

Esses dois cínicos personagens, que se notabilizaram por um conúbio promíscuo, mediante o qual fraudaram escancaradamente garantias processuais básicas, durante a chamada Operação Lava Jato, agora exibem à luz do sol seus verdadeiros propósitos.

Os pretextos de “combate à corrupção”, “Brasil justo para todos”, “lei que deve valer para todos” e até “amor ao próximo”, utilizados por esses farsantes, na verdade sempre constituíram veículos de busca de interesses pessoais, à custa da destruição de empresas nacionais e da condenação de inocentes, numa tenebrosa deformação das funções da magistratura e do Ministério Público.

Sergio Moro violou gravemente a obrigação de imparcialidade a que devem respeito todos os magistrados, como condição elementar de sua atuação.

Já Deltan Dallagnol converteu a força-tarefa que coordenava na Lava Jato num sinistro esquadrão dedicado a empreender perseguições políticas sem base legal.

Ambos agora revelam ao país a verdadeira índole dos abusos que praticaram.

São traidores das instituições às quais pertenceram e inimigos da Constituição, sedentos de poder e ávidos pela manipulação de incautos.

O grupo Prerrogativas há muito vem expondo a gravidade dos desvios praticados pela autoproclamada República de Curitiba.

O caráter político e transgressor dos limites legais foi a marca da passagem de Moro pela magistratura e de Dallagnol pelo Ministério Público.

Dissemos que agiam por interesses inconfessáveis, que agora vêm à tona.

Devido a essa trama nefasta, Moro e Dallagnol tornaram a Operação Lava Jato o epicentro de uma articulação golpista.

Por isso, cremos que a aventura político-partidária desses infames trapaceiros não irá longe. Não faltarão energia nem verdades a serem ditas por quem bem soube dimensionar o dano incomensurável que Moro e Dallagnol perpetraram contra a Justiça brasileira, em prejuízo da Democracia e em desfavor do interesse nacional.

RPP

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