Desmatamento na floresta Amazônica é de 1.034 quilômetros quadrados em junho deste ano.

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Bolsonaro e a destruição da floresta Amazônica

As ações práticas do governo Bolsonaro na contenção do desmatamento na Amazônia, são inexistentes, mesmo com a criação do Conselho que leva o nome da floresta comandado pelo Vice-presidente, general Hamilton Mourão.

Mourão não tem nada a mostrar, tampouco há a dizer – um processo bem diferente dos dados divulgados pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), que apontam para mais um recorde de destruição no bioma desde o ano passado e dão mais elementos para que os investidores de fundos trilionários, incluindo estrangeiros e CEO’s brasileiros, percebam o vazio de propostas, metas, planos estruturados e políticas ambientais na gestão atual. E o pior ainda não chegou.

“Tudo isso tá acontecendo antes do período de queimadas realmente tomar conta da Amazônia, antes de termos os números fechados de desmatamento, em novembro. Estamos em um ambiente de extremo estresse sem sequer entrar no período mais crítico. Imagina o que vai acontecer quando esse período chegar.”, analisa Márcio Astrini, diretor-executivo do Observatório do Clima, que reúne organizações não-governamentais da área para monitorar as políticas públicas implementadas – ou, no caso, as inexistentes.

Os alertas de desmatamento atingiram 1.034 quilômetros quadrados em junho, uma área 11% maior do que a verificada em 2019 e o pior mês de junho desde 2015, quando o Deter começou a operar.

O novo recorte traz consigo a memória da Operação Verde Brasil 2, implementada com Exército há dois meses para, em tese, combater os crimes ambientais e ocupar o espaço dos servidores do Ibama, desmoralizados pela pasta que abriga o órgão.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, se consolida cada vez mais como o próximo Abraham Weintraub do governo – uma figura inconciliável e que inspira pouco respeito da ala militar, apesar dos elogios de Mourão em coletivas e reuniões.

Nos bastidores, parlamentares ambientalistas e até mesmo os ligados ao agronegócio sabem que as demandas têm caído direto na mesa do vice-presidente, sendo o pedido encaminhado pelo Ministério Público Federal para que Salles saia do MMA por improbidade administrativa, apenas a cereja do bolo.

Para Márcio Astrini, a situação se arrasta há tempos, mas se tornou insustentável a partir da “passada de boiada” flagrada na reunião ministerial.

Isso não significa, porém, que Mourão saiba como conduzir a política ambiental brasileira ou que, caso Salles caia, haja uma mudança de rumos que vise conter a destruição.

“O Salles não é levado a sério em qualquer ambiente em que as pessoas estejam dispostas a conversar solução ou a verdade. O Mourão não tem dado respostas, mesmo porque [ambos] pertencem ao mesmo governo, que tem um chefe, que é o presidente Bolsonaro, e a linha de conduta [dele] é destruir a legislação ambiental, não combater o desmatamento e enfraquecer toda a proteção de meio ambiente no País.”, diz Astrini.

Bolsonaro, que está quieto e recluso tanto pelo coronavírus que lhe atingiu quanto pelas investigações envolvendo Fabrício Queiroz, que avançaram até a prisão do ex-amigo de família, já demonstrou no ano passado que estava disposto a alterar a maneira como os dados do Inpe são divulgados a fim de maquiar a real situação nas florestas brasileiras.

A demissão, em 2019, de Ricardo Galvão, considerado um dos cientistas mais respeitados do mundo, parecia ter sido o ápice da ingerência ambiental. Astrini, porém, ressalta que nem mesmo o medo dos investidores tirarem recursos do Brasil pode mudar a situação tão rapidamente, já que o presidente preza pela manutenção de seu eleitorado fiel.

“O desmatamento constitui base de apoio político pro governo Bolsonaro. Muitas empresas que têm compromisso com desmatamento zero, políticas de carbono e afins, sempre tiveram uma dificuldade com o crime florestal em relação a tirar o negócio de dentro disso, mas o governo tá do lado desse pessoal da destruição, e isso nunca aconteceu.”, analisa.

Nem horas de reuniões com “campanha publicitária” sobre a Amazônia, como define Astrini, poderão eximir o País da imagem que leva adiante – e, mais danoso ainda, dos impactos que sofre pela falta de políticas para a floresta, os povos indígenas e, no geral, a população brasileira.

Para o diretor-executivo, basta olhar a forma como Jair Bolsonaro tem levado a pandemia, que já custou mais de 70 mil mortes, para entender a situação.

“O presidente Bolsonaro parece que não está dando a mínima para o Brasil. O que eles [empresários] tão indo cobrar lá é uma parte da sobrevivência para que a gente não perca, além de floresta, também empregos e renda. O risco é pro País.”

GIOVANNA GALVANI

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