Die Zeit: o Brasil tem um governo ou um bando de gângsters?

A nossa vez chegou

As maiores atenções estão, agora, sobre o que Jucá disse involuntariamente sobre a corrupção.

Os brasileiros já sabiam: Este governo interino tem um número excepcionalmente elevado de ministros e esqueletos no armário. Cheios de processos de corrupção e investigações que correm contra eles.

Assim como Michel Temer, ex-vice de Dilma e agora o presidente interino, que foi recentemente condenado por um tribunal por causa de irregularidades no financiamento de campanhas eleitorais.

Segundo a lei brasileira, significa que pode não pode ser eleito em qualquer eleição por oito anos – ele jamais poderia, portanto, ser presidente de forma democrática.

Como chefe do Parlamento do governo na Câmara, Temer atuou, particularmente, como um aventureiro: um político obscuro contra as ações anticorrupção e até uma investigação por tentativa de homicídio. Os críticos perguntam: Este é um governo ou um bando de bandidos?

A queda Dilma Rousseff deve impedir o julgamento de todos estes cavalheiros. Com deputados, senadores e membros do Supremo Tribunal envolvidos para impedir os promotores. Uma conspiração – conspiração Brasília. Mas este não é o único motivo: Caso contrário Temer e seu gabinete não teriam, com o novo governo, imposto seu ritmo e forma de governar.

Metade do país colocou sobre eles a expectativa de que a economia do país deve ser salva. A administração Rousseff deixou aos frangalhos a economia: aumento da dívida, diminuindo economia, e sem um plano de melhoria à vista. No entanto, recentemente, ela foi isolada durante meses no parlamento e, por essa razão, dificilmente poderia implementar seus próprios programas de recuperação.

Rousseff volta ?

O ministro Jucá se licenciou – não se demitiu, deixou temporariamente o cargo de ministro até que a situação jurídica seja esclarecida. É notável já que o presidente interino Temer não o tenha expulsado. Um padrão está emergindo. O novo ministro da Justiça deste governo, logo que assumiu, disse: nem um direito é absoluto e país precisa funcionar. Disse isso sobre uma decisão que Temer teria que tomar (como a escolha do Procurado geral da república) Temer tentou pacificar, mas não tomou medidas adicionais.

A questão agora é como continuar em Brasília? Se as próximas gravações secretas foram publicadas, o escândalo continua. Agora, desde o início da semana, não soa mais estranho se a presidente deposta, Dilma Rousseff, e seus seguidores falam de um golpe: “Obviamente,” era e se não era, agora é. Disse ela.

As consequências disso tudo estão em aberto. Se o governo interino falhar e o golpe ficar claro, Rousseff, teoricamente, pode voltar de novo: No Senado carece de apenas dois ou três votos e os primeiros céticos já têm sem manifestado. O Senado pode recusar-se e a regra é simples. A Presidente, após 180 dias, volta automaticamente ao governo. Isto é concebível, porém… Rousseff teria os mesmos problemas de antes.

Em primeiro lugar, um parlamento hostil, o que permite a ela nenhuma política consistente. Em segundo lugar, poderia haver novo pedido de impeachment para ela, por causa de um financiamento duvidoso de sua recente campanha eleitoral. Ou seja, com grande chance de, em seguida, ela ser colocada, uma segunda vez, para voar para fora do palácio.

Muitos vêem as eleições como a melhor saída para o país: a renúncia conjunta de Rousseff e Temer e um novo começo, desta vez legitimado pelo povo. Só precisa encontrar ainda candidatos convincentes para todas as partes – que também estão dispostos a assumir a liderança em tal impasse.

Thomas Fischermann, no Die Zeit

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