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DILMA SE REÚNE HOJE COM A BASE DO GOVERNO

Uma das queixas dos aliados do governo ao longo do primeiro mandato foi quanto ao descaso, quase desprezo, da presidente Dilma Rousseff pelos líderes da base aliada.

 

Ela delegava as tratativas à ministra Ideli Salvati, depois ao sucessor Ricardo Berzoini, e quando precisava entrar pessoalmente nas paradas, preferia tratar apenas com os presidentes das Casas ou com os líderes do governo na Câmara e no Senado.

 

Negou agendas e deu chás-de-cadeiras que não foram esquecidos. Dilma prometeu mudar também neste quesito e está se esforçando. Amanhã ela se reúne com os líderes de todos os partidos da base aliada.

 

Na agenda há questões imediatas, como o projeto que altera o cálculo do superavit primário para permitir seu cumprimento formal a votação do orçamento de 2015 e também questões de médio prazo, como a sucessão nas Mesas do Congresso, que certamente ela não abordará agora mas terá que estar atenta ao assunto.

 

Se a base rachar, como na eleição de 2005, que terminou com a vitória de Severino Cavalcanti, o governo enfrentará dissabores. Entre os líderes estará Eduardo Cunha, do PMDB, que é candidato com apoio forte em seu partido e no baixo clero.

 

O PSB lançará a candidatura de Julio Delgado, que disputa há dois anos, e deve ter o apoio do PSDB e partidos de oposição.

 

Mesmo no PT há quem ache que mais vale compor logo com Eduardo Cunha do que lançar um candidato petistas para perder. Sem falar na composição do ministério, que afeta sensivelmente o humor da coalizão.

 

Mas o sinal importante é o de que Dilma vai repetir Lula também nesta frente, envolvendo-se mais diretamente com a gestão político-parlamentar. Todos os sinais são de que ela manterá Ricardo Berzoini como ministro das Relações Institucionais.

 

Mas ele, como qualquer outro ministro nesta pasta, precisará do ar da graça presidencial no trato com os aliados para ter êxito.

 

A capa da revista Época, com a foto do futuro ministro da Fazenda Joaquim Levy e a frase “deixa o homem trabalhar” embute um discurso de desqualificação da presidente da República sobre política econômica. Colunistas e comentaristas de economia também estão fazendo uso da expressão, ora em relação apenas a Levy, ora ao trio Levy-Barbosa-Tombini.

 

A mensagem é simples: eles têm a competência que a presidente Dilma não teve e agora precisam de toda autonomia para mostrarem do que são capazes.

 

Como não querem nem podem negar que foram boas escolhas, os críticos do governo encontraram esta forma sutil de desqualificar a presidente e defender sua alienação das decisões econômicas.

 

Coisa que nenhum dos três acredita ser possível, legítima ou viável, pois afinal, foi a ela que 53 milhões de brasileiros deram o voto.

 

Dilma certamente cometeu erros no primeiro mandato, por voluntarismo e centralismo. Esta tratando de corrigi-los mas jamais será uma rainha da Inglaterra em qualquer área do governo.  

Fonte: Tereza Cruvinel

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