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Médico acusado de estuprar crianças é defensor da “família tradicional”

O médico pediatra Allessio Sandri, afastado pelo Conselho Regional do Paraná sob acusação de abusar sexualmente de crianças e adolescentes, é cidadão de bem, fez campanha na rede pelo impeachment de Dilma Rousseff e depois pediu votos para João Amoêdo, do Novo.

Na rede, ele ainda fala de Jesus e, no ano passado, postou uma mensagem a favor da família tradicional, numa mensagem típica dos bolsonaristas, em contraposição aos que defendem a adoção de crianças por casais homossexuais.

O lado obscuro desse médico que tem consultório em Umuarama, no Oeste do Paraná, começou a ser revelado no ano passado, quando a atriz Nina Marqueti, que foi sua paciente durante anos, o denunciou publicamente. Outras mulheres fizeram o mesmo.

A Polícia Civil abriu inquérito e uma investigação do Conselho Regional de Medicina teve como resultado o afastamento do profissional.

Um dos depoimentos colhidos pela polícia dá conta de Alessandro Sandri colocou o pênis para fora enquanto atendia uma criança, longe da mãe, que ficou fora do consultório a pedido dele.

Outro relato registra que ele beijou uma criança de 11 anos à força enquanto a atendia, também com a mãe fora do consultório a pedido dele.

Nesse caso, a criança não teve coragem de falar para a mãe e pediu que uma amiga fizesse o comunicado, por WhatsApp.

“Eu fui vítima de violência sexual aos 16 anos, dentro de um consultório médico”, diz a Nina Marqueti, no vídeo que abriu a campanha “Onde dói” e encorajou outras mulheres a também quebrarem o silêncio. Nina Marqueti conta que passou por uma consulta por problema estomacal e o médico a orientou a ficar nua e colocou o dedo em sua vagina.

“O meu estuprador era também o meu pediatra, que me tratava há alguns anos. Depois de muitos anos de silêncio, porque é muito difícil falar desse tipo de crime, eu decidi compartilhar essa minha experiência através da minha arte, através da minha peça solo ‘A Flor da Matriarca’.

E foi compartilhando essa minha experiência que eu encontrei apoio e força para denunciar na justiça o médico que me violentou. Encontramos sete outras vítimas e foi através dessa movimentação que eu e o grupo de mulheres da resistência no exterior, junto com outros coletivos feministas decidimos criar a plataforma Onde Dói.

A plataforma tem como objetivo mapear os casos de violência sexual perpetrados por profissionais da área da saúde, colher e orientar as vítimas desse tipo de crime. Se você foi vítima de um crime sexual enquanto paciente, saiba que você não está sozinha. Acesse agora ondedoi.org.br e preencha o nosso formulário. Juntas nós somos mais fortes. Nós sabemos onde dói”, diz Nina.

Joaquim de Carvalho

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