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PSDB indica o nome do senador Aloysio Nunes para Ministro de Relações exteriores

Senador Aloysio Nunes

Aloysio Nunes Ferreira Filho nasceu em 05 de abril de 1945, em São José do Rio Preto (SP). Filho de Nice Beolchi e do também político Aloysio Nunes Ferreira, falecido em março de 2003.

Com vasto currículo político e acadêmico, formou-se em Direito e cursou Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, onde lecionou Introdução a Ciência do Direito por dois anos.

Por conta de ações contra a ditadura militar, precisou sair do Brasil. Seu exílio foi na França, de 1968 a 1979, onde fez bacharelado em Economia Política e mestrado em Ciência Política pela Universidade de Paris, assumindo depois a cadeira de professor de Língua Portuguesa. De 1969 a 1973, foi diretor do Instituto de Pesquisa e Formação em Economia do Desenvolvimento.

De volta ao seu país, foi Deputado Estadual pelo PMDB em duas ocasiões: de 1983 a 1987, líder do Governador Franco Montoro na Assembléia Legislativa; e de 1987 a 1991. Foi também Deputado Federal pelo PMDB de 1995 a 1999. Já pelo PSDB, de 1999 a 2003 e de 2003 a 2007.

Foi Vice-Governador do Estado (1991-1994) e Secretário Estadual dos Transportes Metropolitanos (1991/1992 e 1993). Foi Ministro Chefe da Secretaria Geral da Presidência da República de 1999 a 2001, Ministro da Justiça, em 2001 e 2002, durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Foi secretário de Governo da Prefeitura de São Paulo, em 2005 e 2006.

Até abril de 2010, Aloysio Nunes ocupou o cargo de Secretário Chefe da Casa Civil do Governo do Estado de São Paulo, administrado por José Serra.

Foi o responsável por toda a articulação política entre as pastas do governo e os municípios.

Em outubro do mesmo ano, foi eleito senador com uma votação histórica: 11.189.168.

Foi líder do PSDB no Senado de 2013 a 2015. Em 2015, assumiu a presidência da Comissão de Relações Exteriores e foi eleito vice-presidente do PSDB nacional.

A luta contra a ditadura

O senador Aloysio Nunes conheceu os seus primeiros companheiros de luta quando foi presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da Universidade de São Paulo (USP).

Durante esse período, ele era filiado ao Partido Comunista Brasileiro. Mas foi na ALN, liderada por Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira, que ele ganhou importância na luta armada.

A militante Iara Xavier Pereira foi uma das pessoas que militou ao lado de Marighella na ALN. Irmã de Iuri Xavier – um dos líderes da organização que foi assassinado em 1972, Iara relembra o “apreço” com que Marighella falava de Aloysio Nunes.

“Ele [Marighella] tinha uma confiança muito grande no Aloysio. Era muito bem quisto por ele. Falava muito bem do senador, que já era muito culto”, relembra ela.

Marighella e Aloysio atuavam muito próximos, entre outras coisas, porque o comunista não sabia dirigir e o senador ficava responsável pelo transporte do líder.

De acordo com o biógrafo de Marighella, o jornalista Mário Magalhães, era com Aloysio que Marighella viajava, por exemplo, “quando soube que o congresso da União Nacional dos Estudantes havia sido descoberto em Ibiúna (SP), resultando em centenas de presos”, diz Magalhães em texto publicado no seu blog.

Ainda segundo o autor da biografia Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo, por causa dessa função “até hoje os detratores [de Aloysio Nunes] pensam desqualificá-lo apresentando-o como ‘o motorista de Marighella’”.

Nessa época, o senador atendia, na maioria das vezes, por outro nome. Na clandestinidade, ele era chamado principalmente de “Mateus”. Foi com essa alcunha que o tucano participou de uma das ações mais ousadas da guerrilha durante a ditadura militar.

Aloysio Nunes foi um dos protagonistas do assalto ao trem pagador Santos-Jundiaí, em 1968.

Quem coordenou aquele ato, com o objetivo de conseguir dinheiro para sustentar a resistência armada, foi o ferroviário Raphael Martinelli.

Hoje, aos 89 anos, ele lembra que o senador era o motorista de um dos carros que recepcionou parte dos militantes com o dinheiro levado do trem.

Armado com uma carabina, o então militante ajudou a colocar a carga no veículo e levou o dinheiro arrecado.

“Tinha o grupo que fazia o serviço e o grupo que aguardava a descarga, né. Ele tinha que esperar onde o trem parasse, ali em Pirituba, para recepcionar os companheiros que iam descer com a carga.

O Aloysio, além de fazer a segurança, estava para receber a carga do trem, o dinheiro. Todo mundo estava armado.

Num ato desse a gente não ia com intenção de matar ninguém, mas tínhamos que estar preparados”, explica Martinelli.

Renan Truffi/cljornal pesquisa

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