Tragédia: Hospital federal de Bonsucesso confirma 2ª morte após incêndio

Share on whatsapp
Share on twitter
Share on facebook
Share on google
Share on linkedin
Share on email
Pacientes levados para uma borracharia

Duas pacientes do Hospital Federal de Bonsucesso morreram após o incêndio que atingiu o Prédio 1 da unidade nesta terça-feira (27). Ambas as vítimas tinham Covid-19.

Segundo Carlos Cesar Assef, diretor assistencial do hospital, uma das vítimas era uma mulher de 42 anos, que tinha Covid-19 e estava em estado gravíssimo. Ela morreu durante a tentativa de transferência para outra unidade após o fogo.

A outra vítima era uma mulher de 83 anos que estava no CTI coronariano em estado grave, com infecção no pulmão, e também estava infectada com o novo coronavírus.

No início da pandemia, o complexo foi anunciado como futura unidade de referência para a Covid-19. Um dos blocos, com capacidade para até 200 leitos, chegou a ser adaptado, mas o projeto não foi adiante por falta de condições.

Um relatório da Defensoria Pública da União (DPU) do ano passado alertava para problemas na estrutura de combate a incêndios na unidade.

Antes da confirmação da morte da mulher de 42 anos, o porta-voz da corporação, Lauro Botto, tinha afirmado que nenhum paciente se ferira e também tinha descartado intoxicação por fumaça.

“Conseguimos evacuar os pacientes antes que o fogo e a fumaça chegassem à enfermaria”, disse Botto.

O fogo começou no almoxarifado do subsolo do Prédio 1 por volta das 9h40. Segundo o Corpo de Bombeiros, as chamas foram controladas às 11h30, e equipes trabalhavam no rescaldo.

Mas, por volta das 13h20, ainda saía fumaça negra das instalações. Botto ressaltou que “o Prédio 1 estava todo comprometido com chamas e fumaça”.

Não se sabia, até a última atualização desta reportagem, a causa do incêndio.

Desde o ano passado, houve ao menos um incêndio de grandes proporções e outros três princípios de incêndio em hospitais do Rio, além do caso desta terça-feira.

Cerca de 200 pacientes foram transferidos para áreas do próprio complexo — parte aguardava atendimento sob uma árvore do pátio interno.

Alguns internados estavam no meio de tratamento quando tiveram de sair, outros estavam entubados, e havia quem estava com Covid-19.

Como a fumaça se alastrou, a direção optou por esvaziar também parte do Prédio 2, onde estavam internos da UTI neonatal e da Maternidade. Alguns pacientes foram levados de maca ou em colchões para a Rio Paiva Pneus, que fica ao lado do complexo.

“Ficou uma loucura aqui” disse uma funcionária de borracharia que recebeu pacientes de hospital.

Cerca de 30 internados foram transferidos para outras unidades da rede pública do Rio, como o Souza Aguiar, no Centro, o Evandro Freire, na Ilha do Governador.

Transplantados removidos

Uma médica que preferiu não se identificar contou que alguns pacientes que passaram por transplantes na noite de segunda-feira (26) precisaram ser retirados às pressas. “Foi descendo todo mundo, segurando os pacientes no colo. A fumaça foi começando a ficar muito preta. Eu não consegui mais entrar no prédio. Eu não sei se ficou paciente lá dentro”, disse.

Complexo hospitalar tem seis alas
Prédio 1 (onde começou o fogo): Emergência, internações e exames de imagem.
Prédio 2: Centro de atenção à mulher, à criança e ao adolescente
Prédio 3: Oncologia clínica e perícia médica
Prédio 4: Administração
Prédio 5: Laboratório, centro de estudos e residência médica
Prédio 6: Ambulatório

Em setembro de 2019, um incêndio atingiu o Hospital Badim, no Maracanã, Zona Norte do Rio, e causou a morte de 25 pacientes. Nenhuma morte se deu por queimadura, a maioria ocorreu por inalação de fumaça e por complicações devido ao desligamento de aparelhos após a falta de energia no prédio.

Em novembro do ano passado, houve um princípio de incêndio no Hospital Balbino, em Olaria, também na Zona Norte. O fogo teria começado no sétimo andar do hospital, em uma sala administrativa onde não havia pacientes, e foi rapidamente controlado.

Este ano, por duas vezes pacientes levaram um susto no Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste. Na madrugada de 1º de outubro, um curto-circuito no quadro de disjuntores causou um princípio de incêndio, que foi controlado pelos funcionários da unidade, antes mesmo da chegada dos bombeiros.

No dia seguinte, novamente muita fumaça e cheiro forte de queimado levaram à evacuação da emergência da unidade. No segundo dia, no entanto, a Secretaria Municipal de Saúde negou o princípio de incêndio e informou que todo o quadro elétrico da unidade foi revisado.

O caos se faz sentir na rede de saúde pública em todo o país.

OUTRAS NOTÍCIAS