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Vítima das chuvas no RS é humilhada e desabafa: “Preto e pobre não têm vez”

Monstros, chega de racismo.

Em meio à tragédia e ao drama de diversas famílias no Rio Grande do Sul, uma cena repercutiu nas redes sociais e comoveu os internautas.

Nas imagens, que passaram a circular na web, uma cabeleireira faz um desabafo revoltado contra um homem que teria reclamado da ocupação de uma das ruas no município de Viamão, um dos afetados pelas enchentes no estado.

Mãe de um filho autista, de 8 anos, Kaka Lima foi uma das afetadas e acabou perdendo tudo. Desabrigada depois que sua casa foi inundada, assim como seu salão de beleza, ela tem se dividido entre cuidar da família e atuar no resgate de outras vítimas. No entanto, acabou sendo alvo de comentários ofensivos por estar descansando no meio da rua entre um resgate e outro.

Revoltada, a cabeleireira foi flagrada durante a discussão com o homem e as imagens viralizaram.

“Eu não tenho casa para descansar, senhor. Minha casa está debaixo d’água, assim como meu salão de beleza. Eu acho que o senhor deveria respeitar quem acabou de sair da água. Vou ficar onde eu quiser”, declarou. Ao ser questionada, pela autora do vídeo, sobre o que teria acontecido, ela esclareceu: “ele não quer que a gente fique aqui, eu não tenho casa para ir”.

Ainda chateada, Kaka aproveitou para falar do preconceito que tem sofrido juntamente com outros desabrigados. “Para ele não importa, vida preta e pobre. Pobre e preto aqui não tem vez. Aqui, não tem vez pobre e preto. E é o que tá acontecendo nos abrigos”, bradou.

No dia anterior, a cabeleireira chegou a falar um pouco do trabalho que estava realizando para salvar outras vidas, mesmo tendo um filho autista que precisa de cuidados.

“Estou na linha de frente do resgate há sete dias. Eu tenho um filho autista, ele está bem nervoso, ele se agride, se bate, mesmo com a medicação, ele está tendo crises”, contou.

RPP

Esta é a verdadeira cara do racismo gaucho.

cljornal

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