Bolsonaro destruiu nossa última trincheira na área de saúde

A última trincheira

Na coluna de hoje na Folha de S. Paulo o jornalista Janio de Freitas,  diz que Bolsonaro inaugurou seu desgoverno com devastação do Mais Médicos e fala da dispensa de 12 mil médicos cubanos.

É verdade que esses profissionais farão muita falta na hora de bloquear a chegada da pandemia do Covid-19 não só às periferias como às localidades mais remotas, considerando que o contágio se dá “de fora para dentro” e é das cidades de grande e médio porte que ele chegará lá, onde sequer há hospital, que dirá equipamento para casos graves, difíceis de remover pela distância e pela precariedade das vias.

Portanto, foi preciso buscar os números de nosso suporte de pessoal de saúde, médicos existentes em nosso país.

A estatística é a pior que se poderia imaginar.

Temos, no país, 412 mil médicos. Isso representa 1,9 médico por mil habitantes.

Para a comparação: Espanha, Itália e Alemanha, mergulhadas na crise sanitária, têm 4 médicos por mil pessoas. Cuba, a “maldita”, segundo Jair Bolsonaro, tem 8, na mesma comparação.

Os nossos médicos são poucos e são mal distribuídos no país: 53,3% estão no Sudeste, 18,45% no Nordeste, 16,5 % no Sul e 8% no Centro-Oeste (concentrados, claro, em Brasília e 4,7% na Região Norte.

Para atuar na última barreira para a morte, com experiência em envolvidos com intubação e ventilação assistida, temos 3.139 intensivistas (destes 75,9% atendem no SUS) e 15.086 anestesistas, dos quais 81,4% com vínculo com o SUS, embora haja médicos de outras especialidades com habilidade para isso.

Claro que nem todos estarão envolvidos neste esforço, e, ainda que estivessem, seriam poucos.

Não podem trabalhar 24 horas por dia e o procedimento de intubação, nestes casos, onde o paciente é mantido sob sedação, exigem a presença o médico a cada movimentação do paciente – cuidado necessário em doenças pulmonares , ao menos duas vezes ao dia.

E as enfermeiras e enfermeiros com curso superior, que são a “infantaria” dos hospitais, quem percebe sintomas, dá os primeiros cuidados e o alarme, traz o médico a quem precisa dele e não descansa na vigilância do paciente?

Nos cuidados intensivos ou semi-intensivos são necessários em número bem superior ao dos médicos, por estas funções.

A quantidade deles são 251 mil, 84% vinculados ao SUS e com a mesma distribuição regional com as mesmas  distorções que a dos médicos.

Este pessoal, mesmo com os trajes adequados, como em países mais ricos, está sofrendo “baixas” de 10% por contágio. Quanto mais sob estresse forem mantidos, por longas semanas e cargas monstruosas de trabalho, mais vulneráveis estarão.

Se queremos que enfrentem esta guerra por nós, é preciso reforçar a tropa, e já, porque isso demanda treinamento.

O governo Federal tem de abrir um programa de contratação para ontem e capacitação para anteontem.

Ninguém se iluda, se alguém puder salvar a sua vida este alguém será do SUS.

É  melhor de sistema de saúde pública do mundo e o mais desassistido pelos governantes.

Principalmente pelo atual governo  que envergonha todos nós em todos os momentos que tenta se pronunciar.

Fernando Brito e participação do cljornal

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