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Sérgio Camargo é processado após chamar Moïse de ‘vagabundo’ e culpá-lo pela própria morte

Sérgio Camargo e Bolsonaro

Na última sexta-feira, o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, usou o Twitter para agredir o jovem congolês Moïse Mugenvi Kabagambe, 24 anos, trucidado a pauladas por quatro homens, no Rio de Janeiro.

Para o secretário, o congolês era um “vagabundo morto por vagabundos mais fortes”.

E não parou por aí. Camargo acrescentou, pela mesma mídia social, que a vítima não era “mártir nem herói” para merecer qualquer homenagem.

Embora não tivesse títulos, o imigrante, como qualquer ser humano, merece respeito, algo que parece difícil para o secretário negro, subalterno a brancos que repudiam os afrodescendentes.

A família do imigrante afirmou que irá processar o presidente da Fundação Cultural Palmares. O processo se dará nas esferas civil, criminal e administrativa.

O presidente do grupo Comunidade Congolesa no Brasil, Fernando Mupapa, pediu a demissão de Sergio Palmares.

Tem que expulsar esse parasita do cargo que está ocupando. Em nome da Comunidade Congolesa no Brasil, repudio essa pessoa e peço a destituição dele desse cargo.

Ele é uma vergonha. É como se fosse o negro que o colonizador usava para maltratar outros negros e, por isso, se achava melhor que os outros”, disse Mupapa.

O procurador da Comissão de Direitos Humanos da OAB do Rio, Rodrigo Mondego, prometeu tomar providências contra as afirmações de Camargo.

“Esse vagabundo vai responder por essa mentira absurda que está falando”, disse. “A família do Moïse está estarrecida com essa fala criminosa desse sujeito. Já estamos estudando as medidas cabíveis”. Mondego representa a família da vítima de assassinato.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) também defendeu a demissão imediata de Camargo. “O dinheiro público não pode patrocinar violência e discurso de ódio”, afirmou.

Também senador, Fabiano Contarato (PT-ES) chamou o presidente da Fundação Palmares de “figura nefasta”. “Causam repugnância sua perversidade e sua tentativa persistente de ganhar visibilidade a reboque do que há de pior”.

Para o deputado federal Marcelo Freixo (PSB-RJ), a conduta de Camargo deve ser investigada pelo Ministério Público Federal.

Ainda na sexta, a família do congolês desistiu de assumir os quiosques onde Moïse foi morto, na Barra da Tijuca. Eles alegaram medo de represálias. Moïse foi morto após cobrar por duas diárias após ter trabalhado no quiosque.

RPP

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