A Micareta, o Povo besta e o Clube Cajueiro em Feira

Hoje pela manhã por volta do meio dia abri meu e-mail e encontrei esse texto e autoria do jornalista Marcondes Araújo Campos. Embora não concorde com certas observações no campo social e talvez com uma dose ideológica, A visão dos freqüentadores dos clubes sociais em nossa cidade e em todos os lugares, sobreviviam conforme o que se arrecadava, por isso mesmo existia a natural separação social, conforme o poder aquisitivo de cada hum. Três clubes sóciais, na minha juventude, em Feira de Santana, refletiam essa condição: Cajueiro, Tênis e Euterpe.

A grande maioria do povo brasileiro aprovou o Golpe de 64. Demonstrou que essa democracia excludente deveria continuar. Que o Capitalismo selvagem é o regime mais apropriado. Tudo bem.

Vieram à falência dos clubes, seus sócios precisavam novos espaços, nas ruas a mistura não era conveniente, foi aí que o sistema logo tratou de ampará-los e financeiramente se aproveitar da situação.

Surgiram os camarotes, mais segurança, mais atenção dos poderes, e para selecionar usam inteligentemente o melhor processo. O preço dos camarotes, a venda é livre, para quem quiser desde que tenha o dinheiro para pagar. Essa é a lei de mercado que exclui sem ofender ou criminalizar. (Carlos Lima)

Vamos ao texto de Marcondes.

– O circuito da Micareta foi invadido e definitivamente apropriado pela elite que antes se distanciava arrogantemente do povo no Clube de Campo Cajueiro. “Nós cá, e o povaréu lá” (Ninguém chama isto de “invasão”).

O povo, besta, não reagiu quando esses boçais ocuparam o espaço dele. E acabou sendo escorraçado para a periferia da avenida, brigando entre si, para extravasar a revolta e o complexo de inferioridade.

Se tivesse impedido a instalação do primeiro camarote, mesmo que fosse na porrada, isto não teria acontecido. Teria, este povo besta, pelo menos, preservado a autoestima.

E teria escorraçado a elitizinha de volta para o Cajueiro. “Isto aqui é nosso, porra!”, teria gritado Lucas da Feira.

Para a elite, haveria um saldo positivo: o Cajueiro permaneceria lá, servindo até hoje de inexpugnável refúgio para ela.   

Fonte: Carlos Lima e Marcondes Araújo Campos.

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