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A VIOLÊNCIA NAS ELEIÇÕES DE 2024 NA BAHIA ESTÁ ARROMBANDO PORTAS

Arrombando Porta

O professor Cláudio André de Souza, cientista político, esclarece que eleições municipais costumam registrar mais casos de violência.

“Mobiliza mais os lados, deixam tudo à flor da pele exatamente pela característica que tem as eleições municipais, pelo papel que exerce as prefeituras nos municípios menores, e a disputa se torna ainda mais acirrada e polariza a sociedade”, afirmou ao Correio.

Ele ainda destacou que o pleito municipal mexe com o campo afetivo dos eleitores.

No município de Cardeal da Silva, a ex-prefeita Maria Quitéria (PSB) sofreu agressões físicas e verbais perto de sua casa, como revelado pela política em um vídeo publicado em seu Instagram.

“Em ato machista, preconceituoso, baixo. Me xingando, me colocando em uma situação em que eu, como mulher, mãe, não desejo para ninguém. Me senti no direito de entrar no carro para não levar uma surra e mesmo assim ele ainda me atingiu no ombro”, explicou Quitéria.

A pré-candidata registrou Boletim de Ocorrência na Delegacia Territorial do município vizinho de Entre Rios. Segundo ela, não é a primeira vez em pré-campanha que violências como essa acontece com ela.

“Não uso e não pretendo contratar seguranças. Porém, eu pedirei à Delegacia da Mulher uma proteção”, pontuou.

O outro caso de violência aconteceu em Alagoinhas, com o ex-prefeito e pré-candidato ao executivo da cidade, Paulo Cezar (União Brasil).

Ele foi empurrado enquanto cumprimentava pessoas que estavam em um evento esportivo realizado pela prefeitura da cidade, no bairro Jardim Petrolar. O agressor ainda ordenou que o político deixasse o local.

“Foi a primeira vez que isso ocorreu. Nunca andei com segurança na minha vida, mas agora terei que andar”, afirmou.

Paulo Cezar informou que prestou queixa na polícia, que foi submetido a exame de corpo de delito e que deverá contratar seguranças.

Também em abril, a pré-candidata à prefeitura de Paulo Afonso, Onilde Carvalho (Novo), relatou ter sofrido ameaças após a divulgação da pesquisa eleitoral na cidade que teria apontado o seu bom desempenho.

Em um grupo de Whatsapp, um homem, supostamente acusado de feminicídio, disse que iria “neutralizá-la”.

“A gente sabe que neutralizar é matar, né? São sinônimos. E, pelo histórico desse criminoso, eu fiquei um pouco tensa”, afirmou.

O caso foi registrado na 1ª Delegacia Territorial de Paulo Afonso.

O Novo, legenda de Onilde Carvalho, postou uma nota de repúdio nas redes sociais.

Já em Umburanas, a cerca de 450 Km de Salvador, no início de junho, o pré-candidato a vereador, Valmir Justino, foi morto a tiros por dois homens que estavam em uma motocicleta e que alverajam o carro no qual o político estava.

Segundo a Polícia Civil, Valmir tinha registro de prisão em flagrante por tráfico de drogas, em 2023, e havia sido denunciado pelo Ministério Público da Bahia.

Ainda não se sabe se a morte ocorreu por razões políticas.

A Polícia Civil declarou que as investigações das agressões sofridas por Maria Quitéria e Paulo Cezar estão sendo realizadas e que os suspeitos foram ouvidos.

Na realidade, no mês de, em apenas 10 dias, o estado registrou dois casos de agressão física e verbal contra pré-candidatos a prefeito. salienta-se, que estes não foram os únicos casos desde o início do ano.

A porta para a violência já foi arrombada, espera-se que medidas de segurança sejam adotadas com extrema rapidez antes que mortes possam acontecer.

Edição cljornal

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