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Breno Altman: Ninho de serpentes está nos quartéis

Ninho de cobras

Em artigo publicado na Folha de S. Paulo, o jornalista Breno Altman afirma que o “ninho da serpente da hidra golpista” está nas Forças Armadas e avalia que o presidente Lula (PT), fortalecido após a contenção do terrorismo bolsonarista em Brasília no domingo (8), precisa agir para desmontar a tutela militar sobre o Estado brasileiro.

Altman entende que o fracasso da intentona golpista do dia 8 não representa o fim das ameaças à democracia brasileira, mas sim que a tentativa terrorista foi apenas mais uma etapa de um complexo processo iniciado após a derrota de Jair Bolsonaro (PL) para Lula nas eleições de outubro.

A ideia dos golpistas, na avaliação do jornalista é criar um clima de caos e desordem e abrir terreno para uma intervenção das Forças Armadas no governo federal.

“Para não se embriagar no autoengano, basta listar os fatos principais.

A nota dos três ex-comandantes militares, abençoando os protestos bolsonaristas, ainda em novembro.

Os longos e organizados acampamentos próximos às casernas.

A paralisia do Batalhão da Guarda Presidencial frente aos invasores do palácio presidencial.

A postura do comando militar no QG do Exército, na noite do levante, impedindo a ação da PM de Brasília e facilitando a fuga de sediciosos”, exemplifica o jornalista.

Altman continua: “a conclusão é óbvia. A moradia da hidra golpista está nas Forças Armadas, que exercem tutela sobre o Estado desde a Guerra do Paraguai.

Essa instituição passou ao controle de fardados sequiosos em reassumir a direção do Estado, agora por via institucional, associando-se a um mequetrefe apaixonado pela ditadura dos generais.

Para implantar um programa ultraliberal, refazer o realinhamento com os Estados Unidos e embolsar gordos privilégios, altos oficiais se envolveram, direta ou indiretamente, em ataques à Constituição.”

Ele entende que a tentativa de Lula implementar uma política de pacificação com os militares, nomeando o “dócil” José Múcio para o ministério da Defesa e indicando novos comandantes por critério de antiguidade, fracassou em sete dias.

“A verdade, contudo, é que apenas haverá estabilidade quando o ninho de serpentes for varrido dos quartéis”, defende.

Por fim, o jornalista conclui que “o fiasco da intentona, com ampla reação dentro e fora do país, concede ao presidente a melhor oportunidade, desde a transição dos anos 1980, para desmontar a tutela militar, abrindo caminho para a refundação do Estado brasileiro”.

Com informações de Breno Altman

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