CHINA PROVOCA PÂNICO. SOROS VÊ CRISE GLOBAL

Bolsa na China causa pânico

O Ibovespa abre em queda nesta quinta-feira (7) acompanhando o movimento das bolsas mundiais, que desabam diante de um novo “circuit breaker” na bolsa da China.

Após o Banco do Povo da China estabelecer o valor de paridade do yuan em 6,5646 por um dólar, o menor nível desde 2001, o mercado acionário do país caiu 7% e as negociações foram encerradas com apenas 30 minutos de sessão.

Com isso, as bolsas europeias também caem entre 2,5% e 3,5%, assim como os futuros dos índices Dow Jones e S&P 500. Ativosvistos como porto seguro como iene, treasuries (os títulos da dívidados Estados Unidos) e ouro, por outro lado, atraem investidores em fuga do risco.

Às 10h30 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira caía 2,29%, a 40.818 pontos. Já o dólar comercial registra alta de 0,72% a R$ 4,0503, enquanto o dólar futuro para o fevereiro tem alta de 0,42% a R$ 4,079. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 cai 11 pontos-base a 15,42%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 tem alta de 2 pontos-base a 16,16%.

Diante do pânico que tomou conta do mercado hoje, com o segundo circuit break da China em menos de uma semana, o megainvestidor George Soros disse em fórum no Sri Lanka que o país tem um grande problema de ajuste.

“Eu diria que isso equivale a uma crise. Quando eu olho para os mercados financeiros, há um sério desafio que me faz lembrar da crise que tivemos em 2008”, afirmou.

A queda forte da bolsa chinesa também afeta commodities, com o petróleo recuando 2,86% a US$ 33,00, o barril do WTI (West Texas Intermediate) e 2,83%, a US$ 33,65 o barril do Brent. O combustível já havia registrado queda de 5% na última sessão.

Bilionário George Soros faz alerta para mercados: crise atual remete a de 2008

Por Lara Rizério – Os mercados globais estão enfrentando uma crise, e os investidores precisam ser muito cautelosos, afirmou o bilionário George Soros em um fórum econômico no Sri Lanka, de acordo com informações da Bloomberg.

“A China tem um problema de ajuste” e “diria que isso significa a uma crise”, afirmou, fazendo um alerta, ao dizer que o ambiente atual tem semelhanças com a crise de 2008. “Quando olho para os mercados financeiros vejo um desafio sério, que me recorda a crise que vivemos em 2008”.

Por outro lado, vale destacar: Soros alertou para uma catástrofe como a de 2008 antes. Em um painel em Washington em setembro de 2011, ele disse que a crise da dívida europeia originada com a Grécia foi “mais grave do que a crise de 2008.”

Mercados financeiros têm grande desafio, afirma investidor bilionário (Pascal Lauener/Reuters)

O mercado acionário da China despencou nesta quinta-feira e teve o pregão mais curto de sua história de 25 anos, sendo interrompido trinta minutos depois da sua abertura. O Xangai Composto, encerrou a sessão despencando 7,32%, a 3.115,89 pontos.

O pessimismo aumentou após o Banco do Povo da China (PBoC, o BC chinês) ter estabelecido a taxa de paridade para as transações cambiais desta quinta em 6,5646 yuans por dólar, o menor nível desde 2001 e 0,5% abaixo dos 6,5314 yuans por dólar de ontem.

O ajuste na taxa de referência foi o mais forte desde 13 de agosto e causa preocupações sobre o vigor econômico do país.

Com os temores na China, os principais índices mundiais seguem as baixas. O Nikkei fechou em baixa de 2,33%, o Hang Seng caiu 3,09%. As bolsas europeias acompanham o dia de queda, com o alemão DAX em baixa de 3,83%, o francês CAC 40 em baixa de 3,36% e o FTSE caindo quase 3%.

Entre os dados do continente, destaque para a Alemanha: as vendas no varejo no país tiveram um modesto avanço de 0,2% em novembro ante outubro, considerando-se ajustes sazonais, segundo a Destatis, vindo abaixo da alta de 0,5% esperada pelos analistas.

Já as encomendas à indústria alemã subiram 1,5% em novembro ante outubro, o que superou a expectativa de analistas consultados pelo Wall Street Journal, que previam acréscimo de apenas 0,3%.

O MSCI emergentes cai 2,5% com angústia gerada pela desvalorização do yuan, enquanto o rand lidera perdas entre principais moedas; peso mexicano, dólar australiano e lira também cedem; iene lidera ganhos.

O ouro tem 4ª alta seguida com investidores se protegendo do risco-China; metais e outras commodities que dependem da demanda do gigante asiático caem.

O petróleo, que já foi afetado em 2015 pelo abandono do limite de produção pela Opep e pelo aumento da oferta nos EUA, cai para patamar de US$ 32, com WTI no menor nível em 12 anos diante da turbulência chinesa.

Ricardo Bomfim

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