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Com casos de corrupção, governo acelera privatizações para se salvar

No início, todos acreditaram que a aversão de Bolsonaro a “toda e qualquer vacina” era uma questão ideológica ou de mera inépcia, mas no fim se revelou que tudo não passava de cretinice.

A metodologia marxista é infalível quando se presta a analisar a política no sistema capitalista. Pois tudo acaba sendo determinado pelos interesses econômicos.

Nada de movimento antivacina. Tudo era uma farsa. O objetivo era conter a distribuição de vacinas de certos laboratórios para efetuar o contrato superfaturado com a vacina indiana Covaxin.

Antes se pensava que a aversão de Bolsonaro à vacina Coronavac estava ligada a uma rixa entre ele e o governador de São Paulo, João Doria. Ou que tinha a ver com sua ojeriza à China, numa imitação barata dos interesses do ex-presidente estadunidense Donald Trump.

Ou pelo fato da China ser comunista, etc.. Mas com o vilipêndio aos e-mails da Pfizer/BioNtech, esse argumento perdeu o sentido. Afinal de contas, trata-se de um laboratório que trabalha por meio de uma parceria entre a Alemanha e os EUA, grandes potências capitalistas.

Ou seja, tudo não passava de um enorme embuste.

O objetivo era esconder, criar subterfúgios para encobrir o escândalo de corrupção mais nefasto da História do Brasil.

Usou-se da retórica fascista e de todo instrumental de mentiras características desta formação discursiva para fomentar o capitalismo tradicional, aquele que passa por cima de vidas humanas em nome do investimento mais lucrativo.

E a situação é ainda pior quando vemos militares envolvidos no esquema.

Em uma guerra, os militares se sacrificam para proteger sua pátria.

Mas o que vem acontecendo aqui, em “paz”, é que membros das Forças Armadas contribuem para o extermínio de seu próprio povo em prol do enriquecimento de particulares.

A corrupção que se instalou no governo Bolsonaro não envolveu apenas políticos e empresários, mas também militares.

A promessa do chefe do Executivo, quando em campanha, de que voltaríamos a um Brasil dos tempos dos quartéis, concretizou-se satisfatoriamente, mas não – como era de se esperar – para o povo.

Mas como um homem mentiroso e corrupto ainda permanece rodeado por fiéis?

A estratégia é manter o discurso de que a imprensa é mentirosa.

O cientista que defende o isolamento social, vai à imprensa falar, o deputado que descobre a trama corrupta denuncia na CPI, mas é divulgada por uma ampla cobertura da imprensa.

E no caso, somente pela corporação Globo e pela mídia independente de esquerda.

Os outros canais da imprensa estão mancomunados com o presidente.

Deste modo, como ele sempre depreciou esta imprensa, tudo que ela disser, mesmo se for verdade, mesmo se não for ela a produtora da informação, mesmo sendo decorrente de investigações cientificas e judiciais, será mentira.

A mentira, neste caso, é uma questão de etos, da imagem que aquele que profere o discurso tem sobre o seu auditório.

Bolsonaro fala que as urnas eletrônicas são uma fraude e diz que tem provas que confirmam isto.

Pronto! Mesmo sem apresentá-las, uma imensa horda de pessoas irá confiar na palavra de seu líder.

Mas se a Globo disser que não há provas de que a urna eletrônica foi violada, já que não há provas que comprovem, ainda assim será tachada como mentirosa.

Mas Bolsonaro, que diz que não vai mostrar as provas, afirmando que as tem, está falando a verdade. Como haveria lógica neste processo se não fosse através do etos?

É um rebanho imenso que acredita em tudo que o presidente diz porque quem tem o poder de desmenti-lo teve a imagem corrompida por quem se apresentou como salvador.

Desqualificar o adversário é uma estratégia retórica milenar.

Adotando a metodologia marxista, só podemos esperar a queda de Bolsonaro quando setores de importância econômica não ver mais nele uma forma de impor seus interesses de classe.

Ao avançar no processo de privatização da Eletrobras e com a decisão de privatizar 100% dos Correios em um único leilão, o governo usa o que tem para seduzir setores da burguesia para, assim, permanecer no poder e fazer páreo com Lula em 2022.

Até o ano que vem é possível que a agenda de privatizações acelere, pois mesmo com a imagem destruída pela corrupção, o governo tentará buscar apoio das classes que são decisivas e que possam sustentar sua campanha eleitoral. Isto é, as classes dominantes.

Raphael Silva Fagundes

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