Deixem Wagner falar

Ministro Jaques Wagner

O ministro Jaques Wagner fez o que um chefe da Casa Civil tem de fazer: mostrar a cara em defesa do governo e da presidente, falar da gestão, fazer críticas e autocríticas.

É claro que muitos discordarão ou não gostarão do que ele disse, mas esse deve ser um dos papeis do principal ministro do governo Dilma, goste-se ou não.

O governo está precisando disso. De alguém que dê entrevistas e fale em público sabendo que tem respaldo da presidente e que, se errar a mão, a conta ficará para ele próprio.

Outros ministros podem e devem falar, mas sobre seus assuntos específicos. O chefe da Casa Civil pode falar de tudo – política, economia, temas sociais, de segurança, de política externa.

Essa é uma de suas funções, ser o principal porta-voz e anteparo da presidente. Fazer a defesa do governo e atacar os que têm de ser atacados sob a ótica do Planalto. Mostrar, explicar, justificar.

Não interessa se as falas do ministro vão desgastá-lo, ou criar atritos. Essa não deve ser nunca a intenção, pelo contrário. Quanto menos desgastes e atritos, e quanto mais harmonia, melhor.

Mas se for necessário, o chefe da Casa Civil não tem de ter medo nem receio de estar desagradando a alguém. Tem de falar o que tem de ser falado.

Os puxa-sacos e palpiteiros vão correr à presidente para dizer que o ministro está aparecendo demais, que vai passar à população a ideia de que ele é quem governa.

Se a presidente tiver maturidade e segurança, e, sobretudo, bom senso e inteligência, vai mandar os bajuladores a algum lugar desagradável e manter seu porta-voz fazendo o que tem de ser feito. Ela foi eleita, ela tem o comando. Não tem que ter medo de ministro.

A presidente também deve falar, em entrevistas e pronunciamentos, mas com menos intensidade e com mais parcimônia. A presidente entra em momentos certos, pela gravidade ou pela oportunidade. Não pode estar dando entrevistas todos os dias, nem fazendo discursos a torto e a direito.

Não por isso, mas até porque falar de improviso não é, decididamente, o forte de Dilma Rousseff. Sendo mais direto: é um de seus pontos fracos.

Então, mesmo que nem tudo que ele diga seja o certo, ou o que queremos escutar, a presidente deve fortalecer seu chefe da Casa Civil e deixar Jaques Wagner falar. Alguém tem de fazer isso.

HÉLIO DOYLE

Share on whatsapp
Share on twitter
Share on facebook
Share on google
Share on linkedin
Share on email

OUTRAS NOTÍCIAS