“Fascismo não é ameaça, é fato”, diz Freixo

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Brasil. Fascismo já é um fato

Com o governo Jair Bolsonaro, o país passa pelo “pior momento da República brasileira”, segundo o deputado federal Marcelo Freixo (Psol-RJ).

“Existe um governo fascista, um projeto fascista, e que num momento de pandemia significa a morte de milhares de pessoas”, afirma Freixo, ao ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad. A gravidade da situação pode se resumir no fato de que é a “primeira vez que temos um governo de restrição de democracia com apelo popular”, disse Freixo, no programa Painel Haddad, no YouTube.

Freixo anunciou a retirada de sua candidatura à prefeitura do Rio de Janeiro na sexta-feira (15). E defendeu que se “construa uma alternativa” de unidade do campo democrático para enfrentar o fascismo, nas eleições deste ano e de 2022.

Na opinião do deputado, “corremos um sério risco de um golpe de Estado ou da reeleição de Bolsonaro”, o que, para ele, representaria “o fim completo da democracia”. Isso porque, no caso de uma reeleição do atual presidente, ele estaria legitimado pelo que já fez no primeiro governo.

“Bolsonaro vem de um esgoto político, representa a relação entre crime, polícia e política. O projeto fascista é um projeto em andamento, está acontecendo, não é uma ameaça, é um fato. Temos que estancar essa divisão que hoje acontece na esquerda. Se não fizermos isso, seremos julgados pela história”, disse. Só a unidade da esquerda pode enfrentar e derrotar o “projeto fascista” de Bolsonaro, afirmou. “Só vamos derrotar se tivermos um projeto.”

Adriano, Queiroz e a milícia

Nas questões dirigidas a freixo, Haddad demonstrou indignação com o fato de, apesar das evidências contra o clã Bolsonaro serem “muito eloquentes”, o presidente e sua família até o momento têm passado incólumes. “Você leva um ex-presidente da República (Lula) para depor, mas não leva o Queiroz”, disse Haddad.

Fabrício Queiroz, ex-policial militar, trabalhou no gabinete do então deputado estadual, atualmente senador, Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ). Queiroz indicou a mãe e esposa de Adriano da Nóbrega, acusado de chefiar uma milícia, para trabalhar no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Nóbrega foi morto por forças policiais na Bahia em fevereiro deste ano.

“Não é só uma questão miliciana, o que é dramático, mas tem a ver com o aparato estatal que parece que está cedendo a esse ambiente”, afirmou Haddad.

Freixo, que presidiu a CPI das Milícias no Rio, em 2008, lembrou que Adriano da Nóbrega “foi chefe de um grupo de matadores”, trabalhou para a máfia de caça níqueis e serviu junto com Queiroz no 18° batalhão da PM. “Eles respondem juntos a um homicídio. Percebam o tamanho do problema”, observou o deputado. Em decorrência da CPI, centenas de criminosos e milicianos foram presos.

“Flávio entregou uma medalha para Adriano na cadeia”, lembrou ainda Freixo. As relações expostas pelo caso Queiroz e Adriano revelam a estrutura de poder de Bolsonaro, segundo o parlamentar. Ele se referiu ao fato de que Flávio chegou a presentear Adriano, ex-capitão do Bope, na cadeia, com a Medalha Tiradentes, em 2005, mais alta honraria da Assembleia Legislativa.

Medalha

Para Haddad, a situação é muito preocupante, considerando aspectos como o fato de Bolsonaro se alinhar a generais que não têm nenhum compromisso com a soberania popular. Para esses militares, disse, “falar em soberania popular é falar em bolchevismo”.

O ex-prefeito mencionou o artigo publicado pelo vice-presidente Hamilton Mourão, na semana passada, no jornal O Estado de S. Paulo, no qual o general fala em “estrago institucional que já vinha ocorrendo, mas agora atingiu as raias da insensatez”, e que, segundo ele, “está levando o País ao caos”. Na opinião de Haddad, “o artigo do Mourão é uma aberração jurídica”.

Diante das pesquisas que continuam a mostrar aprovação de Bolsonaro por cerca de 30% da população, Freixo afirmou ter receio de que as pessoas que formam esse contingente se transformem em fanáticas, passando a agir e pensar como o presidente.

Para o deputado pelo Rio de Janeiro, a segurança pública é um dos maiores desafios para a esquerda. “A esquerda nunca olhou para a segurança. Eu entendo, mas cometemos um erro. Deixamos a direita ter o monopólio da fala sobre a segurança. A segurança pública dialoga com o medo.” Nessa área, na sua opinião, “tem que ter Estado”.

RBF

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