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O negócio chamado de União Brasil

União Brasil não é um partido é um negócio sijo

Jair Bolsonario, diz O Globo, avança sobre o balcão de negócios que é o tal “União Brasil”, formalmente o maior partido do Brasil, em bancada parlamentar (82, embora, ao abrir-se a “janela” de mudança de partido vá ficar com menos da metade deste número que, no entanto, é o que servira para o cálculo do tempo de TV e do farto financiamento do Fundo Eleitoral).

A preocupação de Bolsonaro com o apoio desta turma é zero, mas ele conta em deixá-lo sem candidato – ou, pior, absorvendo Moro ou coligando-se a ele – para que outra candidatura de direita possa ter recursos e espaços na televisão e roubar-lhe votos que, mostram as pesquisas, ainda estão com ele.

Não é pela possibilidade, que não está no horizonte, de que Moro tome seu lugar no eleitorado conservador, mas pela “conta” que faz de que pode somar, com o discurso antipetista, boa parte dos eleitores de Moro aos seus e ter, mesmo perdendo para Lula no primeiro turno, possa ter uma expressão que não o lance como candidato “pré-derrotado” ao segundo.

Se tiver 25% dos votos ou menos na primeira rodada, o segundo turno de Lula será apenas para “cumprir tabela”, mas se Bolsonaro chegar a 35-40% dos votos, a direita bolsonarista lançará uma guerra suja de grandes proporções para virar o resultado ou, se não o conseguir, virar a própria mesa.

Ou alguém acha que Jair Bolsonaro será mais conformado com a derrota que seu homólogo norte-americano, Donald J. Trump?

Nas contas atuais, dependendo das pesquisas, os votos de Moro, somados aos seus, dariam para chegar bem perto daqueles percentuais “salvadores”, senão eleitoralmente, politicamente falando.

O União Brasil vai se mostrar, em boa parte, sensível aos “argumentos” presidenciais.

Bolsonaro tem nas mãos os recursos que, em eleições para deputado, podem fazer diferença e não hesitará em usá-los, ainda que humilhando mais ainda o ex-posto Ipiranga Paulo Guedes, ao lado de quem nem os assessores querem mais ficar.

Moro, ao contrário, nada tem a dar em troca do farto tempo de televisão, nem a presença como “puxador de voto” para a legenda.

Mas tem muito para “tomar”, porque precisa dos recursos que, de outra forma, serviriam as campanhas de deputado e de Senador e arrasta uma rejeição alta do eleitor.

Sua moeda de troca é, no máximo, a entrega da vaga de vice a Luciano Bivar, até ontem apenas um espertalhão que administrava uma legenda de aluguel, cujo último locatário foi exatamente o atual presidente.

Que está disposto a pagar para manter o imóvel vazio, sem servir de pousada a Moro.

Fernando Brito

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