Reviravolta eleitoral coloca pauta da sustentabilidade de volta na agenda política

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O debate da sustentabilidade, eixo da campanha de Marina Silva em 2010, está de volta ao centro da cena.

Assessores da ex-ministra do Meio Ambiente já estão mapeando os pontos mais vulneráveis da administração Dilma Rousseff na área de preservação ambiental.

Marina deve adentrar o palco das eleições presidenciais – por ora ao lado do governador Eduardo Campos (PSB) – afirmando que, em vez de avanços, o que se viu no atual governo foi um enorme retrocesso.

Do outro lado, no ensaio para o contra-ataque, governo e PT praticamente já definiram o alvo de suas baterias: o parceiro pernambucano da ex-ministra.

O objetivo é mostrar que a maioria dos aliados de Marina no PSB, sobretudo Campos, que preside o partido, está a anos-luz de serem bons exemplos na defesa do meio ambiente.

Da bancada de parlamentares do PSB ao presidente do partido, não vão faltar críticas.

O caso do Código Florestal, que define limites para o uso da propriedade rural, é um bom indicador do que vem por aí. O grupo de Marina, tradicionalmente alinhado com ONGs ambientalistas, considera que sua aprovação, em 2012, foi um retrocesso; e atribui a responsabilidade ao PT e ao governo.

Em Brasília, Luiz Antonio Carvalho, assessor especial do gabinete da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, tem outro enfoque para a questão.

“Entre os que defendiam as posições mais conservadoras e extremistas no debate do Código, que não reconheciam sequer direitos inscritos na Constituição, encontram-se parlamentares que hoje estão no PSB ou apoiam a candidatura de Eduardo Campos”, diz ele.

Na lista de nomes que o assessor da ministra lembra de imediato aparecem o de Paulo Bornhausen, que liderava o DEM na Câmara na época do debate e hoje comanda o diretório estadual do PSB em Santa Catarina.

Heráclito Fortes, outro que trocou o DEM pelo PSB. Ele também cita nomes de integrantes da bancada ruralista que manifestam simpatia pela candidatura do governador pernambucano, como Abelardo Lupion (DEM-PR) e Ronaldo Caiado (DEM-GO).

As ações de Campos não vão escapar de rigorosa análise. “O PIB pernambucano cresceu no padrão chinês. Resta saber qual foi o padrão para a questão ambiental”, diz Carvalho.

As impressões do ambientalista e deputado licenciado Carlos Minc (PT-RJ), que sucedeu à ex-ministra na pasta do Meio Ambiente no governo Lula e hoje é secretário estadual no Rio, não são nada favoráveis a Campos.

Ele conta que, em abril de 2008, logo após ocupar a cadeira de ministro, constatou que o Estado que mais desmatava o remanescente da mata atlântica era Pernambuco.

“Os usineiros estavam plantando nas encostas e no leito de pequenos rios, literalmente”, diz. “Decidimos atacar o problema com uma pancada, aplicando R$ 560 milhões de multas.”

No dia seguinte, lembra Minc, Campos apareceu em seu gabinete: “Chegou dizendo que eu estava doido, que ia quebrar a economia de Pernambuco, que eu não conhecia a história regional. Pediu cancelamento das multas. O pedido não foi aceito e ficamos meses sem conversar.”

A questão da aliança entre governo e setores ruralista conservadores tende a ser onipresente.

Na avaliação de assessores de Marina, a excessiva proximidade entre Dilma e a bancada ruralista no Congresso é que estaria por trás do fato de não ter sido criada nenhuma área de conservação ambiental desde 2011.

Também seria a causa de terras indígenas e quilombolas não terem sido ampliadas de maneira significativa.

Não por acaso, o primeiro sacrificado na coalizão PSB-Rede foi o deputado Caiado, histórico ruralista e líder da bancada do DEM na Câmara. Na semana passada, após ouvir a ex-ministra insinuar que não haveria espaço para os dois no mesmo barco da eleição, ele a acusou de “intolerante” e retirou o apoio que vinha dando a Campos.

Curiosamente, uma das vozes mais firmes que têm se levantado em defesa de Dilma é a da senadora Kátia Abreu (TO), presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), recém-filiada ao PMDB. “Marina conhece a floresta, mas desconhece o agronegócio. Se conhecesse, saberia que o Código Florestal trouxe segurança ao campo. Não é mais como na época em que ela era ministra e produzia decretos 24 horas por dia.”    

Fonte: Roldão Arruda

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