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Rui Falcão: “Sou contra Alckmin como vice e não quero deixar dúvidas”

Lula e Alckmin

Além de rejeitada pelo PSOL e por parte da militância nas redes, a possível escolha de Geraldo Alckmin para vice de Lula em 2022 está encontrando resistências dentro do próprio PT.

Ex-presidente do partido, o deputado federal Rui Falcão tem feito questão de manifestar seu desagrado com a dobradinha entre o ex-governador paulista e o ex-presidente, que se enfrentaram na disputa em 2006.

“Sou contra e não quero deixar dúvidas”, disse Falcão, para quem Alckmin não agregaria votos como se espera.

“É um erro estratégico brutal. Além de tudo, para quem quer uma campanha aguerrida, passa um simbolismo negativo colocar um anestesista na vice”, ironizou –Geraldo Alckmin é médico anestesista de formação.

“Não tem nenhum empresário que tenha se manifestado em favor dessa chapa. Nesta área em que Alckmin atrairia simpatias, ninguém se manifestou em favor de Lula.” Para Falcão, a aliança não é mais um balão de ensaio. “Já está feita, pelo menos na imprensa.”

“Além de tudo, para quem quer uma campanha aguerrida, passa um simbolismo negativo colocar um anestesista na vice”, ironizou o ex-presidente do PT. “E quem garante que esta aliança malsinada com Alckmin vai garantir governabilidade?”

Rui Falcão também criticou a escolha do vice neste momento, antes de a campanha propriamente dita começar, e alertou para o risco de se repetir um golpe como o de 2016.

“Ninguém escolhe vice antes de começar a campanha. É preciso antes construir um programa com os pretensos aliados: PSB, PCdoB, PSOL, setores do PDT, movimentos sociais. Se não tiver uma base importante, o golpe pode vir de novo.

É nesse contexto que se vai escolher o vice. Quem garante que esta aliança malsinada com Alckmin vai garantir governabilidade?”

“Lula já falou que é a favor do fim do teto de gastos, de outra política de preços na Petrobras, que é contra a privatização das empresas públicas… O programa do Alckmin é a favor disso?”, questiona Falcão.

“Todos os governos dele foram na direção oposta, inclusive com medidas repressivas como o Pinheirinho”.

A operação de desocupação na comunidade do Pinheirinho pela PM paulista em São José dos Campos, em 2012, resultou em várias denúncias de truculência policial e violação de direitos humanos contra o governo. Na época, Alckmin atribuiu a responsabilidade pela ação à Justiça, que ordenou a reintegração.

O ex-presidente do PT mostrou guardar mágoas da declaração que o ex-governador paulista deu sobre os tiros sofridos pela caravana de Lula no Paraná, em 2018.

Alckmin teria dito que “o PT colheu o que plantou”, mas ele chegou a fazer uma retificação no dia seguinte, dizendo que não sabia do atentado quando fez o comentário.

Outro questionamento feito pelo deputado foi por que estão sendo cogitados homens e não uma mulher para a vice do petista, principal colocado nas pesquisas até agora.

“Não poderia ser uma vice? As mulheres são maioria no Brasil, são as que mais rejeitam Bolsonaro e são as que mais apoiam Lula”, disse. Um dos nomes cotados, a empresária Luiza Trajano, não demonstrou nenhum interesse em se lançar na política.

Apesar das preocupações de Falcão e de setores mais à esquerda dentro do PT, a dobradinha Lula-Alckmin ainda depende dos difíceis acertos com o PSB, provável futuro partido do tucano, em torno da corrida para o governo de São Paulo.

Lula acha que é preciso ganhar no primeiro turno –e para isso é preciso desidratar uma parte do centro. Daí a opção por um vice mais próximo à centro-direita, para conquistar esta fatia do eleitorado.

Ou seja, mesmo se não for Alckmin, será alguém com o mesmo perfil.

Cynara Menezes

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