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Temer: aprovar a Previdência é ‘bem melhor’ agora

O presidente Michel Temer em evento no Palácio do Planalto no início de janeiro (Foto: Alan Santos/PR)

presidente Michel Temer disse nesta segunda-feira (29), em entrevista à Rádio Bandeirantes, que a situação política para aprovar a reforma da Previdência no Congresso é “bem melhor” agora do que no fim de 2017.

Ele deu a declaração ao ser questionado se as chances de aprovação haviam melhorado, piorado ou permanecido iguais desde que os parlamentares saíram de recesso. Os trabalhos na Câmara e no Senado retornam em fevereiro, e o governo vai tentar levar a reforma adiante.

“É bem melhor [a situação para aprovar a reforma]. Conseguimos fazer a comunicação com o povo, com a população, esclarecendo o que é a reforma da Previdência”, disse o presidente. “Como o Congresso ecoa a vontade do povo, o que está acontencedo é que a pessoa compreende, chega para o deputado ou senador e diz que a Previdência é essencial”, afirmou Temer.

Ele repetiu a argumentação das últimas semanas de que a reforma vai corrigir injustiças do sistema de aposentadoria e vai evitar que falte dinheiro para honrar os pagamentos. “É uma reforma muito suave, mas fundamental para o país. Acho que os deputados voltarão mais convencidos das suas bases”, afirmou Temer.

O presidente foi questionado se haveria espaço para novos ajustes no sentido de flexibilizar o texto e facilitar a aprovação no Congresso. O governo já cedeu em pontos da reforma original em negociações no final de 2017.

Segundo Temer, a ideia do governo é “não ir além do que já foi” nas concessões. No entanto, ele afirmou que há a possibilidade de, na negociação com deputados e senadores, serem feitos novos cortes na reforma. Ele disse que, mesmo assim, a economia que será feita com as novas regras da Previdência vai valer a pena.

“A ideia do governo é não ir além do que já foi. Até confesso, diante do projeto inicial, a economia de recursos ao longo de 10 anos seria de R$ 900 bilhões. Com o novo projeto, amenizado, será de R$ 550 a 600 bilhões. Ou seja, vale a pena. Entre nada e R$ 500 bilhões, essa economia garante os salários e pensões”, afirmou Temer.

Nomeação de Cristiane Brasil

Outro tema tratado na entrevista foi a nomeação de Cristiane Brasil (PTB-RJ) para o Ministério do Trabalho. A posse da deputada foi suspensa por decisão da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), depois de uma disputa judicial que vem se alongando nas últimas semanas. O governo ainda tenta a liberação da posse.

Temer disse que vai respeitar qualquer que seja a decisão da Justiça, mas afirmou que a competência para designar um ministro cabe ao presidente da República.

“O ideal dos ideiais é que cheguemos ao ponto em que nós todos tenhamos a convicção de que minha competência vai até onde começa a do outro. Essa é uma pregação muito útil”, afirmou o presidente.

Questionado se tem arrependimento de ter nomeado Cristiane Brasil, o presidente negou. Não [me arrependi]. Eu sou muito ciente e consciente daquilo que a Constituição determina”, respondeu.

Condenação do ex-presidente Lula

Temer também foi questionado sobre o impacto da condenação em segunda instância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de outubro. Segundo Temer, seria melhor para a “pacificação” do país se Lula pudesse participar das eleições e sair derrotado das urnas.

De acordo com a lei da Ficha Limpa, uma pessoa que tenha sido condenada por órgão colegiado em segunda instância, como é o caso de Lula, fica impedida de disputar eleições por oito anos. No entanto, a defesa de Lula vai recorrer a tribunais superiores.

“Do ponto de vista político, eu pessoalmente apreciaria que ele não tivesse essas responsabilizações, que ele pudesse ser vencido no voto. Isso pacificaria o país”, disse o presidente.

Em seguida, Temer foi indagado se, politicamente, Lula estaria “morto”. O presidente respondeu que não e citou o fato de Lula liderar pesquisas de intenções de voto para a presidência da República.

“A figura dele é uma figura de muito carisma. Não é sem razão que ocupa uma das primeiras posições nas análises [eleitorais]. Dizer que ele está morto… A imagem dele, a palavra, a presença passada dele… Dizer que não vai ter alguma presença, morto ele não está”, afirmou Temer.

Negociação entre Embrar e Boeing

Na entrevista, o presidente voltou a afirmar, como já havia feito em dezembro, que o governo não vai permitir que a empresa de aviação norte-americana Boeing se torne acionista majoritária da brasileira Embraer.

No final de 2017, foi noticiado que havia um interesse da Boeing na Embraer. Mesmo que as empresas fechem um acordo, o negócio depende da aprovação do governo federal, já que, quando a Embraer foi privatizada, nos anos 90, foi incluída uma cláusula chamada de “golden share”. Na prática, a cláusula dá ao governo brasileiro voz ativa e poder de veto em qualquer decisão estratégica da companhia.

“Nós temos o chamado golden share, que garante o veto. Eu mesmo disse que não vamos abrir mão do controle da Embraer”, afirmou Temer.

Por G1

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