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SIDÓNIO PAIS UM TRAIDOR OU UMA ESTRANHA PERSONALIDADE

Na verdade muitos, na época, o chamaram de traidor e ainda hoje, alguns assim o reconhecem. Mas se pesarmos bem os acontecimentos históricos, o mais certo seria enquadrá-lo entre aqueles que possuem um comportamento megalomaníaco, e, por suas contradições e desatinos entram na história pela porta dos fundos.

 

Pode-se afirmar que Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Pais não era um traidor, era um homem desejava ser único entre todos os outros e que não escolhia meios para atingir os seus fins.

 

Sidónio, como reitor da universidade de Coimbra, no início da República, levou suas posições ao extremo, mandou tirar da venerada galeria, os retratos dos antigos reis de Portugal, até o do fundador da universidade, argumentando que era para não afrontar a consciência republicana dos estudantes.

 

Quando foi Ministro da República, acusou o seu colega, o Ministro da Guerra de favorecer as colunas de Paiva Couceiro, facilitando a entrada, quando o que estava em jogo era a estratégia Militar.

 

Sendo tenente-coronel do Exército, estando o seu país em guerra, promoveu uma rebelião militar contra a mesma, no exato momento em que o chefe de Estado visitava a frente de batalha, e torna livre o “flirt” com os agentes do inimigo, juntando-se ele mesmo à fina flor dos espiões.

 

Elevado pelas circunstâncias à presidência da República, convoca para ministros, pessoas encontradas nos saguões monárquicos, e com eles dá início a obra de destruição do regime que terminaria mais tarde, após a sua morte, na “Traulitania” e na concentração militar da serra Monsanto, comandada pelo seu ministro da Guerra, Amilcar Mota!

 

Todos sabiam que Sidónio iria morrer na cidade do Porto e que seria pelas mãos dos que ele mesmo exaltara anteriormente.

 

O próprio Sidónio não duvidava do trágico fim do seu destino.

 

E, num conselho de ministros às vésperas da sua viagem ao Porto, fez alusão às paixões que se acirraram e aos ódios que de uma forma ou de outra tumultuavam os bastidores da capital do Norte.

 

Com essa visão, Sidónio comentou: – Sei de tudo! Conheço tudo! O que muita gente não sabe é que em Portugal ninguém anseia a minha morte do que eu!

 

Ele sabia o que tinha feito após prestar um juramento irrenegável. Sidónio sendo maçon, foi também responsabilizado pelo assalto ao Grande Oriente. Não se lembrou de que naquela casa ele e o seu secretário, Tamagnini Barbosa, haviam prestado juramento.

 

Voluntarioso, envaidecido das paixões ardentes que provocara nas velhas solteironas da nobreza. Sidónio poderia ter sido uma das figuras mais interessantes da História do Portugal Moderno, no entanto se transformara num instrumento de discórdias nacionais e caiu morto pelas mãos do carbonário, José Julio da Costa num prosaico corredor da estação do Rocio, longe das trincheiras heroicas que eram os túmulos gloriosos dos que envergavam a farda do Exército de Portugal.

Fonte: Carlos Lima com foto de arquivo

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