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Justificando erro na agenda Ministério da Saúde cancela reunião com Precisa

Fachada do Ministério da Saúde na Esplanada dos Ministérios

O Ministério da Saúde voltou atrás e, quatro dias depois de confirmar  que a pasta também negociava vacinas da Moderna com intermediação da Precisa Medicamentos, alterou a agenda oficial do secretário-executivo Rodrigo Moreira da Cruz, onde constava a informação.

Nesta segunda-feira (28), a chefia da assessoria de comunicação do ministro Marcelo Queiroga entrou em contato com a reportagem do Brasil de Fato e atribuiu a informação a um “erro administrativo”. Em seguida, a equipe do ministério alterou a pauta do encontro na agenda oficial.

Agenda do secretário-executivo do Ministério da Saúde em 28 de abril pré e pós-alteração. Pasta disse ter cometido “erro administrativo”.

A mesma equipe, na quinta-feira da semana passada (25), havia ratificado a informação sobre as tratativas com a Precisa pela vacina da Moderna.

O contato telefônico foi gravado pela reportagem e apresentado à chefia da assessoria de comunicação da Saúde.

Em 24 de junho, o Brasil de Fato mostrou que o sócio da Precisa Medicamentos, Francisco Emerson Maximiano, fez uma reunião no Ministério da Saúde em 28 de abril de 2021.

O empresário está envolvido no suposto esquema de fraude na negociação de doses do imunizante Covaxin, produzido pelo laboratório indiano Bharat Biotech.

Durante a sessão da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado, na última sexta-feira (25), diversos senadores citaram as informações reveladas pela reportagem.

Na mesma data, a colunista Miriam Leitão, do jornal O Globo, publicou nota em que atribuiu o título da reportagem à uma “fonte da CPI”.

Maximiano foi recebido por Rodrigo Moreira da Cruz, secretário-executivo da Saúde, nomeado já na gestão de Marcelo Queiroga.

Por meio de contato telefônico, a assessoria de comunicação da pasta havia afirmado que o empresário “veio apresentar e falar sobre contratos da vacina” da empresa estadunidense.

A reportagem questionou as duas empresas por e-mail, mas não houve retorno.

:: Preços exorbitantes, atravessadores, traição e revolta: entenda a crise da Covaxin ::

O encontro ocorreu mais de um mês depois do irmão do deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), o servidor público Luís Ricardo Fernandes Miranda, chefe da divisão de importação do Ministério da Saúde, ter alertado o presidente Jair Bolsonaro sobre as irregularidades no contrato da Precisa com o governo federal para compra da Covaxin. Os irmãos se encontraram com o chefe do Executivo em 20 de março, quando relataram suspeitas em relação à atuação da empresa de Maximiano.

Escândalo da Covaxin

A CPI investiga possível ilegalidade na intermediação da Precisa em contrato de R$ 1,8 bilhão para compra de 20 milhões de doses da Covaxin pelo governo federal. Uma das irregularidades seria o valor pago pelo Ministério da Saúde por dose, pelo menos 250% superior ao da Índia e quase 1000% maior que o preço estimado inicialmente pelo Ministério das Relações Exteriores.

A Precisa ainda aguarda uma licença da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para importar os primeiros 4 milhões de doses.

A agência autorizou a importação do lote em 4 de junho, mas só autoriza a importação depois de liberação do Ministério da Saúde. Mesmo com a nota de empenho para pagamento publicada, o processo está paralisado.

As irregularidades foram reveladas publicamente na última terça-feira (22), em uma série de entrevistas concedidas pelo deputado Luis Miranda.

Segundo o parlamentar, documentos que provam a fraude também teriam sido levados por ele e pelo irmão, pessoalmente, ao próprio presidente Jair Bolsonaro, no dia 20 de março.

O encontro não consta na agenda do presidente, mas Miranda, em seu perfil no Twitter, publicou uma foto ao lado de Bolsonaro e afirmou que ambos trataram de “assuntos que são importantes para o Brasil”.

Ainda de acordo com o relato, além de encontrar com o presidente, Luis Miranda enviou mensagens a um assessor do presidente falando sobre um “esquema de corrupção pesado” dentro do Ministério da Saúde para a aquisição das vacinas.

O deputado apresentou trocas de mensagens por WhatsApp com um assessor do presidente que continham o seguinte texto: “Tenho provas e testemunhas. (…) Não esquece de avisar o PR [presidente].

Depois não quero ninguém dizendo que implodi a República. Já tem PF e o c****** no caso.

Ele precisa se antecipar”, afirmou o parlamentar nas mensagens. Logo depois, afirmou que “estava a caminho”.

Paulo Motoryn

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