Na OMS, Pazuello desrespeitou os mais de 100 mil mortos no Brasil

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Ministro Pazzuelo omite na OMS mortes por Covid-19

Em uma reunião feita na manhã desta quinta-feira, 13, que a Organização Mundial de Saúde (OMS) realiza semanalmente com governos de todo o mundo, o ministro interino da Saúde do Brasil, o general Eduardo Pazuello, simplesmente ignorou a marca dos 100 mil mortos pelo novo coronavírus no país, alcançada no último sábado, 8.

Sem citar o número de mortes, o militar se referiu ao total de casos e destacou o número de pessoas recuperadas no Brasil. Um verdadeiro desrespeito aos familiares e amigos de quem perdeu a vida nesta triste batalha.

Os dados da OMS revelam que o Brasil é o segundo país do mundo com o maior número de mortes pelo coronavírus, em termos absolutos, e tem registrados números de óbitos diários acima de mil.

Durante a reunião, Pazuello atualizou os especialistas e o próprio diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, sobre as medidas implementadas no país e indicou a vontade do governo em fazer parte das alianças internacionais, inclusive para a vacina.

Mas, talvez por vergonha, preferiu omitir o número de mortos no Brasil.

Pazuello limitou-se a expressar seus “sentimentos sinceros a todos que perderam entes queridos para a covid-19 e conhecer imenso sacrifício pessoal que profissionais de saúde fazem diariamente para ajudar o próximo”.

“O Brasil se solidariza com vocês”, disse.

Ironicamente, Pazuello chegou a mencionar na reunião a Constituição Federal e o fato de que o acesso à saúde é um direito de todos os brasileiros e um dever do estado.

No balanço, ele ainda citou o que o governo está fazendo para lidar com a situação entre os indígenas.

“O desafio que enfrentamos deixará lições importantes”, disse. E completou: “Mais do que simplesmente uma emergência de saúde, a atual pandemia resultou em uma crise econômica-social em escala jamais vista”, disse.

Para a OMS, o distanciamento social precisa ser mantido no Brasil.

Mas reconheceu que a sociedade precisa de ajuda. “É difícil para muitos no Brasil”, disse Mike Ryan, diretor de operações da OMS.

“Muitos vivem em locais lotados e na pobreza. Manter essas atividades é muito difícil. O governo deve continuar a dar apoio à sociedade. É difícil agir como comunidade se não recebe apoio. Não se pode empoderar comunidades com palavras. Elas precisam de ações. Ela precisa de recursos e conhecimento. Sociedades não podem agir com as mãos atadas nas costas. Elas precisam receber recursos e meios para agir”, alertou o chefe da OMS.

Para Ryan, o Brasil continua a registrar entre 50 mil e 60 mil novos casos por dia, com uma taxa de proliferação entre 1,1 e 1,5.

“O vírus ainda está ativamente se espalhando por grande parte do país”, alertou.

“O Brasil está mantendo um nível muito elevado da epidemia. A curva está mais achatada. Mas ela não está caindo e o sistema está sob dura pressão”, afirmou.

Maurício Thomaz

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