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Paciente mantida por médico em cárcere privado está “apodrecendo”

A paciente e o cirurgião plástico Bolivar Guerrero Silva

O cirurgião plástico Bolivar Guerrero Silva foi preso na última segunda-feira (18) no Rio de Janeiro por agentes da Delegacia de Atendimento à Mulher

(Deam), no Hospital Santa Branca. Ele teve a prisão temporária de cinco dias decretada pela Justiça e suspensão do registro no Conselho Regional de Medicina (CRM).

O médico é investigado por lesão corporal grave, associação criminosa e cárcere privado.

As investigações começaram há uma semana. Neste período, a unidade de saúde, que é particular, se recusou a entregar à polícia o prontuário e o relatório médico da paciente Daiana Chaves Cavalcanti, de 36 anos.

“Há uma semana, tentávamos contato com a vítima, mas o hospital argumentava que ela estava sedada e, por isso, sem condições de falar. Constatamos que isso era mentira e na sexta-feira, 15, conseguimos contato com a paciente que pediu pelo amor de Deus para deixar o hospital. Ela fez uma espécie de pedido de socorro alegando que iria ‘morrer ali’. Além da prisão do médico, foram apreendidos quatro celulares”, informou a delegada Fernanda Fernandes, que está à frente das investigações.

De acordo com a família, a mulher não podia sair da unidade há dois meses em razão de ter feito uma abdominoplastia.

O procedimento foi realizado em março, mas ela voltou no mês passado para se submeter a mais três intervenções que não teriam sido bem-sucedidas.

“Ela conseguiu uma ordem judicial para ser transferida para outro hospital particular, mas que ainda não foi cumprida”, esclareceu Fernanda Fernandes.

“Está apodrecendo”

No inquérito policial entregue à Justiça sobre o caso da paciente, a delegada informou que “há indícios claros de que a vítima esteja apodrecendo” na unidade particular de saúde. Daiana Chaves ainda não foi transferida da unidade de saúde.

Além de argumentar que a vítima está apodrecendo, a polícia também informou à Justiça que Daiana pode já estar com infecção generalizada, e “à beira da morte”.

Outra suspeita da Deam-Caxias é de que a mulher esteja sendo mantida no hospital para “ocultar a atividade criminosa do médico”.

Uma testemunha, amiga da vítima, contou em depoimento aos investigadores que Guerrero Silva chegou a fazer chantagem para dificultar a saída da paciente da unidade.

disse que o médico ameaçou não usar mais a máquina para drenar a secreção expelida pelo corpo de Daiana.

Também no relato, a amiga disse que o médico afirmou que, caso Daiana fosse transferida para o Hospital Federal de Ipanema, não iria autorizar que a máquina fosse junto, o que para a polícia poria “a vida da vítima em risco”.

À polícia, outra testemunha disse que Daiana apresentou pus nas feridas da cirurgia, aparentemente necrosando, e que os pontos sempre soltavam e ela ficava com as feridas abertas. Também foi dito que o médico sempre afirmava que Daiana estava em situação estável e que ele cuidava dela.

Entenda o caso

Daiana está internada em estado grave, esperando uma transferência de hospital. A família da paciente conseguiu duas liminares na Justiça, que ainda não foram cumpridas.

A primeira, na esfera cível, do dia 14 de julho, determinava que o Hospital Santa Branca e o médico fizessem a transferência da paciente, sob pena de multa de R$ 2 mil em caso de descumprimento.

Na segunda-feira (18), a Justiça concedeu uma outra liminar, dessa vez na esfera criminal. Mas, ainda assim, até esta quarta-feira de manhã Daiana ainda não tinha saído do Santa Branca.

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) manteve a prisão temporária do cirurgião durante a audiência de custódia na terça (19).

Ele foi preso após a denúncia de que estaria mantendo Daiana em cárcere privado na unidade de saúde, da qual é sócio.

Na manhã de terça-feira (19), Daiana afirmou por telefone que sente dor e que está cansada.

“Eu só queria que me tirassem daqui, para outro médico me acompanhar, porque eu já não aguento mais, já não aguento mais o que esse homem fez comigo. O meu peito está todo necrosado, está doendo tanto”, afirmou.

“Eu não tenho uma enfermeira pra poder me levantar da cama, eu mesma tenho que levantar sozinha. Ontem, eu passei o dia toda sozinha, porque minha outra acompanhante ficou com trauma dele”, acrescentou a paciente.

O pai de Daiana, Paulo Lacerda, contou que não tem dinheiro para arcar com a transferência para uma unidade de saúde privada.

“Estamos tentando ver se conseguimos passar para outro hospital, mas está difícil. Eu não tenho condições financeiras. Hospital particular é caro. Eu sou camelô. Eu não tenho como transferi-la”, afirmou. (RPP)

Se a paciente morrer a clínica deve ser fechada, lacrada e o médico rersponsável pela paciente ser preso. (cljornal)

 

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