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‘Temos grandes chances de chegar a 1 milhão de mortes’, diz médico Gonzalo Vecina

Gonzalo Vecina - hum milhão de mortes

O médico sanitarista e professor da Faculdade de Medicina da USP Gonzalo Vecina Neto avaliou o depoimento do diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, à CPI da Covid nesta quinta-feira (27) e deu uma previsão dramática para o futuro da pandemia no Brasil.

Segundo Vecina, que é fundador da Anvisa, as declarações de Dimas Covas mostram que o Brasil poderia ter concluído a vacinação contra Covid-19 em maio.

E segundo ele, pela forma como o Brasil tem agido, há um sério risco de registrarmos 1 milhão de mortes causadas pela doença até o final deste ano.

“Daqui até o fim do ano corremos o risco de duplicar o número de mortes que temos hoje, de 450 mil. Temos grandes chances de chegar a 1 milhão de mortes se não fizermos lockdown, distanciamento social, se não usarmos máscaras e se não tivermos um pouco de governo onde deveríamos ter”, analisou.

“O que o Dimas falou hoje já sabíamos: desde julho temos oferta de vacinas. E a responsabilidade por não termos comprado não tem outra: o presidente decidiu não comprar vacina. Estaríamos em maio, hoje, terminando de vacinar a população inteira se tivéssemos decidido comprar as vacinas”, apontou.

À CPI, o diretor do Butantan afirmou que decisões do governo federal que atrasaram a assinatura de um contrato pela aquisição da CoronaVac impediram que o País tivesse 100 milhões de doses do imunizante até maio.

“O Brasil poderia ser o primeiro país do mundo a começar a vacinação, não fossem os percalços que nós tínhamos que enfrentar durante esse período, tanto do ponto de vista do contrato, como do ponto de vista também regulatório”, disse Dimas Covas.

 O diretor relatou que ainda em julho de 2020, pouco depois de o instituto iniciar os estudos clínicos da CoronaVac no Brasil, o Ministério da Saúde foi procurado, por meio de ofício, com uma oferta de entrega de 60 milhões de doses até o final do ano.

“Um pouquinho depois, como não houve aí uma resposta efetiva, nós reforçamos o ofício e, em agosto, nós solicitamos, além de reforçar o ofício, apoio financeiro ao ministério para apoiar o estudo clínico”, disse.

“Um estudo clínico dessa dimensão custa muito caro. Nós tínhamos uma previsão de gastar em torno de 100 milhões de reais nesse estudo clínico.

Então, nós solicitamos um apoio do ministério, no sentido de que permitisse a gente suportar esses gastos, e solicitamos também um apoio para reformar uma fábrica”, relatou Covas, acrescentando que não obteve resposta positiva aos pleitos.

Brasil

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