Carlos Lima
Hoje dia 20/07/2018 às 10:40:30

Cinema
Carlos Lima | Publicado em 11/06/2018 às 16:29:27

Além do homem um filme com Sérgio Guizé

Além do homem um filme com Sérgio Guizé

Sérgio Guizé diz que seu personagem em “Além do Homem” teve de “quebrar dogmas, como essa coisa patriarcal, entender o feminino, para poder se redescobrir”.
“A redescoberta veio através da poesia, do afeto – com certeza, ele termina outro homem, como eu terminei outro homem.”

O ator falou sobre o filme, que entra em cartaz em 28 de junho, em entrevista coletiva em São Paulo nesta segunda-feira (11).
Neste longa de estreia do diretor Willy Biondani, Guizé interpreta Alberto, um aspirante a escritor brasileiro que mora em Paris – e que parece não morrer de amores pela terra natal. Mas, para a tristeza do protagonista, ele é convencido pelo sogro fazer uma viagem até uma cidadezinha no interior do Brasil.
Não é qualquer passeio: ele deve refazer os passos de um estudioso francês que, aparentemente, morreu no Brasil vítima de um ritual canibal promovido por nativos do Brasil.
A viagem de Alberto é mesmo uma “viagem”, ou seja: o tom é de delírio. O diretor cita como influências a Semana de Arte Moderna de 1922, a Tropicália, cultura pop, arte primitiva e arte indígena.
“O filme se propõe muito mais a ser uma experiência sensorial do que ter uma narrativa convencional de cinema”, explica o diretor.

Já Guizé fala em “um personagem alegórico, que representa muita coisa, que pode ir a vários lugares, pode ser um sonho”.
“O processo foi de imersão mesmo. Passa por olhar pra dentro. Eu usei mais o coração do que a cabeça. Acho que é isso.”
Recado para o Brasil de hoje?

O ator Fabrício Boliveira (atualmente no ar em “Segundo Sol”, da TV Globo) usou o termo “autofagia” para se referir a Alberto.
No filme, Boliveira vive o taxista-guia-turístico Tião. Sobre seu personagem que o próprio intérprete comparou ao Saci e que propõe um jogo quase de sedução com o protagonista, o ator disse: “Nessa relação com o Alberto, o que o Tião quer de verdade? Parece uma coisa meio sexual, mas depois vira uma coisa financeira, depois vira cultural…”
Par Boliveira, “o filme chega num momento mais necessário”. Está se referindo à situação atual do Brasil, e o diretor concordou com isso.
“A ideia é que ele foque no público jovem. Mais que nunca, a gente tem de criar a reflexão sobre a necessidade de se ter utopias no público jovem”, disse Biondani. “A gente tem criado uma geração de brasileiros em esperança.”

O ‘feminino’

O termo “feminino” é recorrente no discurso da equipe do filme. O diretor lembrou que a ideia de “Além do homem” veio de sua própria experiência como brasileiro morando no exterior e que queria recuperar a própria identidade.
“E cheguei a ideia utópica de um lugar feminino, com alma feminina. O feminino, neste caso, se refere não só a gênero, mas muito mais a uma atitude afetiva e generosa em relação à vida.”
Biondani também se perguntou: “Onde é esse território do masculino e do feminino para mim? Masculino está naquilo que a gente conhece como a dinâmica do mundo hoje em dia: ambição, poder, sucesso, macho alfa, o cara foda, que manda – é o que está todo mundo procurando”.

Por esse motivo, justificou, foi escolhida como locação de maior parte do filme a cidade de Milho Verde (MG), com paisagem do cerrado. “A gente coloca esse personagem nesse trajeto árido, para depois ele atingir a cachoeira, que na verdade representa o feminino da gente, um ambiente mais verde, mais fértil.”
Por fim, ele lamentou a ausência na coletiva da atriz Débora Nascimento, que faz um dos papéis mais importantes de “Além do homem”. Disse que ela teve de ficar em casa amamentando a filha, que nasceu em abril.

                                                                                                                                                                                                                       Cauê Muraro

Comentários

comentários

Veja também