Carlos Lima
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Economia
Carlos Lima | Publicado em 22/01/2020 às 10:47:10

Guedes em Davos, uma economia à deriva, por Andre Motta Araujo

Guedes em Davos, uma economia à deriva, por Andre Motta Araujo Guedes em Davos

Todo o estrago que está sendo executado na área de relações internacionais, educação, cultura, previdência, saúde pública, meio ambiente, pelo governo reacionário é, e será menor, que o estrago que está sendo provocado na economia brasileira por uma turma de alucinados ideológicos aferrados a uma concepção de Estado absurda para qualquer Pais e muito mais ainda para um Pais emergente, que precisa de um Estado liderando a economia, que para funcionar de forma integrada precisa de coordenação entre políticas públicas e mercado privado, cada qual no seu papel.

O mercado tem um espaço dentro da economia onde ele opera com eficiência. Mas isso é apenas uma parte da economia.

Uma parte maior e mais estratégica é a que o Estado pilota, como se faz na China, na Índia, na Rússia, na Indonésia, países emergentes como é o Brasil.

Mesmo nas grandes economias ricas, o Estado é um fundamental coordenador e impulsionador de política econômica, a começar pelos EUA.

É um espaço enorme, decisivo, muito maior do que fazer crer os “neoliberais de Chicago”, que infestam o pensamento econômico brasileiro.

 1.POLÍTICA ENERGÉTICA – O programa do ETANOL DE MILHO nos EUA é estatal do início ao fim, é resultante de um programa de governo que se inicia em 1992 pelo CLEAN AIR ACT, depois se consolida em 2005 pelo ENERGY POLICY ACT e em 2007 pelo ENERGY INDEPENDE AND SECURITY ACT.

Toda a política do ETANOL americano é POLÍTICA DE ESTADO e hoje os EUA são o maior produtor e exportador mundial de etanol. [aqui]

2.INVESTIMENTOS EM DEFESA – Dinheiro público é a base do crescimento, dos empregos, da pesquisa e dos lucros das indústrias aeroespacial, aeronáutica, eletrônica, naval, empreiteiras, parte da indústria de moradias (Veterans Administration) e parte da indústria química (combustíveis especiais), há também um setor paralelo de serviços à defesa, transportes, segurança das bases, alimentação no exterior, medicamentos e saúde, tudo depende desse orçamento.

O dispêndio anual gira em torno de $700 a 800 bilhões de dólares, 3% do PIB americano, 2 milhões de empregos diretos vem da indústria de defesa.

3.SUBSÍDIOS AGRÍCOLAS – Nem pensar no Brasil, nos EUA 800.000 agricultores de soja recebem US$20 bilhões de subsídios em dinheiro do Tesouro, mais há SEGURO RURAL para casos climáticos, COMPRA de safra para estoque do governo, CRÉDITO RURAL SUBSIDIADO (Commodity Credit Corp e Farm Credi Administration). Só subsídio ao ETANOL DE MILHO de 2000 até 2018 custou ao Tesouro US$ 185 bilhões, em nome de uma política de Estado.

4.BANCOS PÚBLICOS – Os neoliberais caboclos querem vender Banco do Brasil, Caixa e todos os bancos públicos. Nos EUA há uma enorme REDE DE BANCOS E AGÊNCIAS PÚBLICAS DE FINANCIAMENTO, para exportação o EXIMBANK, para o crédito rural a FARM CREDIT ADMINISTRATION e a COMMODITY CREDIT CORP., para pequenas e médias empresas a SMAL BUSINESS ADMINISTRATION, que já emprestou US1.3 trilhão às pequenas e médias empresas americanas, a MARITIME COMMISSION que, desde 1933, financia a construção de navios PARA MANTER ABERTOS OS ESTALEIROS AMERICANOS, as duas financiadoras/seguradoras de crédito imobiliário, FANNIE MAE e FREDDIE MAE, o banco de financiamento para exportação de material e serviços bélicos a DEFENSE SECURITY CREDIT AGENCY, a VETERANS ADMINISTRATION financia casas para militares. Os EUA criaram, capitalizaram e sediam os dois maiores bancos de fomento globais, o WORLD BANK e o INTERAMERICAN DEVELOPMENT BANK, este por inspiração do Presidente JK.

5.TRANSPORTES: Rodovias, aeroportos, portos, metrôs, ônibus coletivos nas cidades, TRENS DE PASSAGEIROS (Amtrak) deficitários mas mantidos porque 15% dos idosos do País não podem viajar de avião, É TUDO ESTATAL, dinheiro público, não tem “inversionista” privado da linha Paulo Guedes.

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6.RESGATE DO MERCADO FINANCEIRO EM CRISES – Na crise de 2008 foi o Tesouro dos EUA, através do programa TARP, quem salvou 200 bancos e grandes empresas de seguros, como a AIG e de manufatura como a GENERAL MOTORS, com recursos de US$708 bilhões.

Os ativistas neoliberais brasileiros OMITEM esse fato, fazem questão de desconhecer o papel decisivo do Estado em situações de crise nacional de colapso financeiro dos mercados, de alto desemprego, de fome generalizada, de inadimplência gigantesca de pessoas físicas e jurídicas, SITUAÇÕES DE ESTADO que o mercado não pode resolver nem que quisesse resolver.

Os americanos reconhecem perfeitamente quando e onde o Estado é necessário, NÃO EXISTE NEOLIBERALISMO IDEOLÓGICO nos EUA, ao contrário do Brasil, eles são PRAGMÁTICOS, a economia funciona com uma COMBINAÇÃO DE ESTADO E MERCADO, não há qualquer hesitação quando é necessário o Estado agir, na crise de 2008 a ação do Tesouro foi autorizada pelo Presidente Obama em uma semana.

A EXTINÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS NESSE GOVERNO

Na sua alucinação, que é resultado da introjeção de uma vulgata do credo neoliberal que nunca foi ensinado de forma tão primitiva, foi o mau aluno quem absorveu por insuficiência de entendimento das aulas de Friedmann, que não poderiam ser tomadas como religião, como se viu na crise de 2008.

Abaixo o obituário de Friedman e a sua revisão histórica. Friedman pode ser lido, mas não é guru de seita e não deve ser tomado por tal função.

Apresentar reformas e projetos de lei NÃO É UM PLANO ECONÔMICO DE CRESCIMENTO, como tem Índia, Rússia e China. Para estrangeiros são rearranjos burocráticos domésticos, ISSO NÃO É UM PLANO DE CRESCIMENTO. Seria como um empresário mostrar a investidores sua empresa dizendo: “Olha como minha empresa é boa, cortei minha folha em 30%”. Sim, MAS E DAI? Onde as reformas levam o Brasil? Qual é o PLANO DE CRESCIMENTO depois das reformas? Qual é o PROJETO DE PAÍS para a indústria, a tecnologia, a educação? A ECONOMIA NÃO FUNCIONA NO VÁCUO, qual é o País onde ela está?

GUEDES EM DAVOS PARA VENDER O BRASIL

Guedes não tem o que apresentar em Davos a não ser VENDER PATRIMÔNIO NACIONAL, que não foi ele quem construiu.

O certo seria vender parceria em um PLANO DE DESENVOLVIMENTO, com PROJETOS CONCRETOS, coisa de US$1 trilhão em 4 anos, como o Presidente Juscelino fez quando iniciou seu governo em 1956.

Foi à Alemanha e trouxe a nata das empresas alemãs para o Brasil para seu plano 50 ANOS EM 5, que ele realizou através de 31 BLOCOS DE PROJETOS, cada um coordenado por um Grupo de Trabalho, tudo muito organizado com metas e roteiros de execução.

O símbolo ruim de Guedes em Davos: ele convidou empreiteiras estrangeiras para vir ao Brasil. ELE DEVIA PROMOVER EMPREITEIRAS BRASILEIRAS NO EXTERIOR, para obras em outros países, esse é o papel de VENDER O BRASIL, vender a capacidade técnica e empresarial do Brasil para executar projetos em outros mercados, capacidade que o Brasil tem de sobra em construção de USINAS HIDROELÉTRICAS, PONTES, AEROPORTOS E RODOVIAS.

Invés disso foi lá vender aquilo que construímos em 200 anos de Nação, construído por outros e não pelos neoliberais. Triste economia à deriva.

Andre Motta Araujo

 

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