Carlos Lima
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Carlos Lima | Publicado em 06/10/2015 às 17:15:07

Protesto macabro no velório de Dutra confirma que tolerância ilimitada pode levar ao fim da tolerância.

Protesto macabro no velório de Dutra confirma que tolerância ilimitada pode levar ao fim da tolerância. Velório de Eduardo Dutra

A pregação do ódio no Brasil atingiu um novo pico na escala de barbárie com os panfletos atirados no velório do ex-senador do PT José Eduardo Dutra, em Belo Horizonte.

Ocupantes de uma Saveiro preta, jogaram os papeis. Havia policiais de plantão. Antes do ataque, o carro passou três vezes pelo local, afirmam testemunhas. Ainda assim, a PM afirma que não viu nada. Ok.,

Um protesto também aconteceu ali. Um sujeito chamado Cipriano de Oliveira, aposentado de 60 anos, resumiu o espírito de porco ao Estadão.

“Qualquer momento é momento de mandar um bandido embora. Até no enterro da minha mãe eu faria isso”.

Submetida a uma dieta de ressentimento, desinformação e indignação seletiva, essa escumalha passou a considerar aceitável socialmente conspurcar um enterro e humilhar os familiares e amigos do morto.

Eles são “gente do bem”, segundo a definição imortal do líder dos Revoltados On Line, Marcello Reis, um Mussolini para os nossos tempos.

Isso não os choca porque eles estão acima do bem e do mal. Não é força de expressão: uma pesquisa da empresa britânica YouGov com 1,646 homens e mulheres constatou que direitistas se acham moralmente superiores.

De acordo com o estudo, 47 daqueles que se descrevem como sendo de direita se declaram seres humanos melhores do que o cidadão médio (contra 39% dos que se dizem de esquerdista).

O levantamento também revelou que são mais propensos a acreditar que certas pessoas “nascem más”.

Os depravados que atacaram uma cerimônia fúnebre têm um nome: fascistas. Como lidar com eles?

Para começar, não é com “republicanismo”. Aquilo não faz parte do “debate político”. O filósofo Karl Popper escreveu o seguinte:

“A tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância.”

Se estendermos a tolerância ilimitada mesmo para aqueles que são intolerantes, e se não estivermos preparados para defender uma sociedade tolerante contra o ataque dos intolerantes, então os tolerantes serão destruídos e a tolerância com eles.

Esta formulação não implica que devamos sempre suprimir as filosofias intolerantes, contanto que possamos combatê-las com argumentos racionais e mantê-las sob controle da opinião pública.

Mas devemos reivindicar o direito de suprimi-las, se necessário até mesmo pela força, e isso pode facilmente acontecer se elas não estiverem preparadas para debater no nível de argumentação racional, ao começar por criticar todos os argumentos e proibindo seus seguidores de ouvir argumentos racionais, pois ela é uma filosofia enganosa, ensinando-os a responder a argumentos com uso de punhos ou pistolas.

Devemos, portanto, reivindicar, em nome da tolerância, o direito de não tolerar os intolerantes.

“Devemos enfatizar que qualquer movimento que pregue a intolerância deva ser colocado fora da lei, e devemos considerar a incitação à intolerância como criminosa, da mesma forma como devemos considerar a incitação ao assassinato, ou sequestro, ou a revitalização do comércio de escravos como criminosa”.

Kiko Nogueira com título da Redação

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