Carlos Lima
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Carlos Lima | Publicado em 18/10/2018 às 15:23:26

Ascensão da extrema-direita faz explodir culto ao nazismo no Brasil

Ascensão da extrema-direita faz explodir culto ao nazismo no Brasil O NAZIFASCISMO ESTÁ CHEGANDO

Cinco apartamentos do bloco A do Crusp (Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo) amanheceram nesta quarta (17) com suásticas pichadas nas portas. Em um deles, além da suástica, havia a inscrição: “Volta p/ Bolívia”.

O símbolo nazista destoa da paisagem da residência estudantil. Alguns estudantes colocam vasos com plantas em suas portas, decoram suas casas com mandalas e borboletas e, nas passagens, veem-se adesivos esparsos de candidatos filiados ao PSOL e ao PSTU.

Alexandre Honório, 29, estudante do último semestre de geografia se assustou quando abriu a porta de manhã e viu a suástica desenhada na parede, aparentemente a lápis. Morador do Crusp há três anos, é a primeira vez que ele vê uma manifestação assim.

“Fiquei com medo, pareceu uma ameaça. Sou LGBT, preto, periférico. Já penso que estou sendo atacado”, disse Honório. “É um ambiente estudantil que preza pela liberdade de pensamento e tem várias pichações, sempre voltadas para denúncia, não pra esse tipo de violência. É uma violência isso”, completa.

Ele tentou cobrir o símbolo formando um quadrado com lápis de cor: “Não sou obrigado a ficar com suástica aqui”.

A reportagem conversou com outros cinco moradores do Crusp e visitou dois apartamentos vandalizados. Todos disseram estar assustados com a pichação.

Os estudantes dizem ter procurado o Serviço de Assistência Estudantil e informaram a segurança sobre o ocorrido, mas não tiveram nenhuma resposta. A universidade não se pronunciou.

Não há suspeitas de quem seja o autor das inscrições e não há câmeras dentro do prédio. Os estudantes dizem que não dá nem para saber se o responsável mora no bloco, já que não há controle de quem entra ou sai das residências.

Três dos cinco apartamentos já tinham sido vandalizados na terça (16), com frases de conotação sexual inscritas nas portas direcionadas nominalmente aos moradores.

Alguns estudantes especulam que as pichações se liguem a desavenças internas. Eles citaram um morador não identificado que costuma jogar excrementos em uma das cozinhas na madrugada.

Fernanda Theodoro, 29, aluna de Letras, e Laura Balaguer, 21, de Geociências, dividem um dos apartamentos duplamente vandalizados e estão assustadas. Fernanda acha que as suásticas podem estar ligadas ao caso do vizinho problemático, Laura acha que são episódios que não podem ser misturados.

Otávio Balaguer, 24, mestrando em arqueologia e irmão de Laura, classifica as suásticas do Crusp dentro da escalada de agressividade política dos últimos dias, em que o símbolo nazista tem aparecido em locais públicos.

Ele mostra no celular a foto de uma pichação supostamente do banheiro da Faculdade de Educação, ponto de encontro da comunidade LGBT: “Vai começar a matança bolsonarista”.

Antes das suásticas, os estudantes relatam um clima de apreensão na universidade, em que eles e os colegas têm evitado se manifestar publicamente sobre eleições ou usar adesivos de preferência política em sua rotina.

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