Carlos Lima
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Carlos Lima | Publicado em 24/05/2017 às 10:53:05

Temer perde dois assessores próximos em menos de 24 horas

Temer perde dois assessores próximos em menos de 24 horas Homens de confiança de Michel Temer caem ante denúncias de escândalo e corrupção

Em menos de 24 horas, o presidente Michel Temer perdeu dois assessores importantes do seu núcleo mais próximo no Palácio do Planalto.

Tadeu Filippelli foi exonerado nesta terça-feira (23) após ser preso pela Polícia Federal (PF) acusado de envolvimento no esquema de superfaturamento das obras do estádio Mané Garrincha, em Brasília.

No mesmo dia, o empresário e ex-deputado Sandro Mabel (PMDB-GO) – importante articulador do presidente no Congresso Nacional – entregou uma carta a Temer pedindo demissão.

Os dois assessores despachavam no terceiro andar do Palácio do Planalto, mesmo pavimento do gabinete presidencial.

Fillipelli foi preso pela Operação Panatenaico para não atrapalhar as investigações sobre o suposto pagamento de propina e superfaturamento na construção do Mané Garrincha.

A operação se baseou nas delações premiadas dos executivos da Andrade Gutierrez à Lava Jato.

Segundo os delatores, Filippelli teria sido um dos beneficiados pelo esquema de corrupção que desviou dinheiro da reforma da arena de Brasília.

Construído para a Copa do Mundo de 2014, o estádio foi orçado, inicialmente, em R$ 600 milhões. No fim das contas, a obra acabou custando R$ 1,7 bilhão. Segundo os investigadores, o superfaturamento nas obras pode ter chegado a R$ 900 milhões.

Já Mabel é investigado pelo Ministério Público Federal por suspeita de ter recebido caixa 2 da construtora Odebrecht. Na carta de demissão entregue a Temer nesta terça, ele agradeceu por ter passado dois anos participando das decisões do governo e lembrou que trabalhava como colaborador, sem remuneração, e que tinha pedido para se afastar do cargo algumas vezes para se dedicar à família.

Além de Filippelli e Mabel, Temer perdeu, nos últimos meses, o amigo e assessor José Yunes – citado na delação de um dos ex-dirigentes da Odebrecht – e, mais recentemente, o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR).

Afastado da Câmara por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), Rocha Loures ocupava, nos primeiros meses do governo Temer, uma sala no Palácio do Planalto ao lado de Tadeu Filippelli.

Em março, ele assumiu mandato de deputado na vaga do atual ministro da Justiça, Osmar Serraglio, e agora foi citado na delação do dono da JBS Joesley Batista.

Rocha Loures foi filmado pela Polícia Federal carregando, no dia 28 de abril, uma mala com R$ 500 mil entregue por um executivo do grupo J&F, holding que controla o frigorífico JBS.

De acordo com as investigações, era dinheiro de propina. o que ninguém explicou ainda é onde foram parar os 35 mil reais que estavam na mala, mas desapareceram agora na hora da devolução.

Nesta terça, o deputado afastado entregou à PF a mala com R$ 465 mil reais, além do passaporte.

À época em que despachavam no Planalto, Filippelli e Rocha Loures eram atendidos pela mesma secretária. Depois, ganharam salas maiores, na outra ponta do terceiro andar do palácio, onde ficaram próximos de José Yunes, amigo de Temer que também pediu demissão após ser citado na delação da Odebrecht.

G1

 

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