Carlos Lima
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Nacional
Carlos Lima | Publicado em 28/01/2020 às 10:40:14

“Edir Macedo tem uma visão muito pragmática: ‘Se há poder, eu tô junto’”

“Edir Macedo tem uma visão muito pragmática: ‘Se há poder, eu tô junto’” Bispo Edir Macedo

O reino da Igreja Universal é grandioso e segue em franco crescimento.

O bispo Edir Macedo comanda, de forma totalmente vertical, como líder absoluto, 10 mil templos, 14 mil pastores e milhões de fiéis espalhados por 95 países.

Os líderes mais antigos, quando começam a ter mais influência entre os fiéis, são enviados para o exterior. A palavra final é sempre dele.

Em 2015, segundo pesquisa do Datafolha, a Universal era vista como a quinta instituição de maior prestígio entre os brasileiros, à frente do Judiciário, da Presidência da República, do Congresso Nacional e dos partidos políticos.

O bispo é um magnata da comunicação no Brasil, dono da Rede Record de televisão e também tem partido político, representantes no Congresso, no Executivo, e à frente da prefeitura do Rio de Janeiro.

Seu apoio eleitoral vale ouro e todos os presidentes das últimas décadas desfrutaram dele e em algum momento apertaram sua mão. E o bispo, homem pragmático que é, apoiou todos.

Mudou de ideia muitas vezes, sobretudo com relação ao PT, que ora era encarado como inimigo – Lula já foi associado ao próprio Satanás –, ora era convidado a subir ao púlpito ao seu lado.

Tudo isso está no livro do jornalista Gilberto Nascimento, O reino, escrito a partir de uma investigação de quatro anos que mergulha em documentos, processos judiciais, entrevistas com familiares, amigos, ex-funcionários, ex-pastores e conta uma história minuciosa e saborosa que começa com o nascimento de Edir Macedo e segue por sua infância, adolescência, a entrada para a vida religiosa e a construção do império da Universal do Reino de Deus.

O livro traz também um impressionante capítulo sobre crimes envolvendo execuções, torturas e violência sexual a integrantes da igreja – alguns ainda não solucionados e todos tendo em comum o absoluto silêncio da instituição.

Em entrevista à Agência Pública, Gilberto Nascimento fala sobre o projeto de poder político da Universal, o futuro da igreja e sua relação com o governo Bolsonaro e com os demais governos.

Eles apoiaram todos os governos, Collor, Itamar, FHC, Lula, Dilma, Temer, Bolsonaro. Agora, todos também querem né?

Se eles chamam o PT de Satanás, mas amanhã resolvem apoiar o PT de novo, o PT vai aceitar provavelmente.

Agência Pública: Você acompanha a Universal desde o fim da década de 1990, certo?

O que chamou sua atenção nessa igreja e o que o manteve olhando para ela ao longo desses anos?

Gilberto Nascimento: As primeiras reportagens sobre a Universal eu fiz ainda em 1989. Eu trabalhava na Folha e cobria a área de igreja, mas curiosamente foi um dos lugares onde eu menos escrevi sobre a Universal.

Em 1989 eles [da igreja] apoiaram a eleição do Collor, essa foi uma das reportagens que eu fiz. Em 1992 foi a prisão do bispo [Edir Macedo] e em 1995 teve aquele episódio do chute na santa. E aquele vídeo polêmico do Edir pedindo dinheiro, que por acaso fui eu que achei e a Globo que levou a fama, mas tudo bem.

Então, a partir do início dos anos 1990 eu cobri com muito mais assiduidade, no período após a compra da Record, que foi o momento que todo mundo olhou para a Igreja Universal.

Existem várias outras igrejas pentecostais e neopentecostais que não incomodam ninguém. A partir do momento que a Universal adquiriu uma das maiores redes de TV do país, ela ficou na mira da mídia e passou a ser alvo de muita polêmica.

Todo mundo foi fuçar, investigar; começaram a surgir as denúncias. Eu fui fazendo fontes e conhecendo pessoas. E, como eu relato no livro, quem está lá dentro nunca fala nada, mas quem sai conta coisas. Quem não tem medo, né? No livro, várias pessoas falaram pra mim em off.

Andrea DiP

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