Psicanálise e Política um debate imperdível

Cláudio Carvalho, psicanalista e amigo, acabou por indicar-me à Associação de Psicanálise da Bahia para fazer uma palestra sobre Psicanálise e Política. Ousadia dele.

Será hoje, 26, 19hs, no Sartre COC da Pituba, perto do Shopping Paseo. Que será, que será? Sei não. Sei que não sou nenhum especialista no tema. No limite, paciente.

Cláudio me tranquilizou dizendo-me que o meu lugar de fala é o da política. Mas não há como fugir dos enlaces entre os dois campos.

Do meu ângulo, como não pensar a contradição entre alguns valores presentes na sociedade brasileira, penso que até agora minoritários mas significativos, e a realidade que a política possibilitou, melhorando significativamente as condições de vida das parcelas mais pobres da nossa gente.

Quais são os fatores que impulsionam valores de negação da política e até o estímulo ao ódio aos homossexuais, às mulheres que são levadas a realizar aborto?

Por que se repetem linchamentos em praça pública, de pessoas inocentes ou de “culpados”, pouco importa?

Porque se massacra, se mata uma mulher em praça pública, como ocorreu recentemente?

Por que se desenvolve o ódio de uma parcela da sociedade ao PT, independentemente dos fatos, daquilo que pela política do PT se provocou de melhoria real nas condições de vida do povo brasileiro?

E não é que o PT não tenha erros. Não os tivesse, e não seria do humano. É que a raiva carrega muito de irracionalidade.

Como entender a raiva de alguns setores a Bolsa Família, o mais extraordinário programa de distribuição de renda do mundo?

Tenho a firme convicção de que nesses últimos 12 anos, abriu-se o caminho do encontro entre as classes sociais diversas do Brasil, sem que isso elimine o conflito e luta que deve se dar pela política, pelo teatro da política, à Sennet, nunca pela barbárie de valores distintos da civilização.

À sociedade brasileira caberá responder se quer promover esse encontro, se quer a generosidade de uma convivência entre diferentes, ou se pretende que se esmaguem aqueles com os quais não se concorda. A civilização para existir tem que se prevenir contra climas estimuladores do ódio.

Foi Freud, no Futuro de uma ilusão, que alertou que a civilização, tem de ser defendida contra o indivíduo, e mais ainda, creio, contra a criação de imaginários coletivos superficiais que vão preparando climas destinados a fomentar a ideia de que o homem é o lobo do homem.

Por que não uma sociedade fraterna, cheia de igualdade e fraternidade? A palavra de ordem da Revolução Francesa ainda reclama presença entre nós.  

Fonte: Emiliano José

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