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A FACE HORRENDA

O povo brasileiro, de forma cada vez mais rápida, vai percebendo que tipo de país terá à medida em que vai se consumando o golpe que entregará, ao que tudo indica, o comando do país ao rebotalho da direita representado pela dupla Michel Temer-Eduardo Cunha.

O cenário é sombrio e, paradoxalmente, são eles próprios que se encarregam de mostra-lo à população.

É tudo tão vergonhoso que os que se assanharam por este golpe estão no silêncio da vergonha, depois do gozo orgiástico daquele domingo de feras destroçando a presa.

A “anistia” a Eduardo Cunha assa no forno de pedra, sem disfarces e a inexplicável recusa do Supremo em analisar o seu pedido de afastamento da presidência da Câmara mostra que, também lá entre os vetustos senhores e senhoras que o compõem, como diz a gíria carioca, “tem jogo”. Algo se pode fazer.

De outro lado, a volta do PSDB ao muro onde esteve durante do Governo Collor, até que a situação do ex-presidente se deteriorasse, mostra que os tucanos não acreditam muito na estabilidade de um governo que subirá ao poder de forma ilegítima e sem autonomia para fazer nada além do que a demolição dos direitos e programas sociais  que o capital e o empresariado lhe exigem.

Há, claro, também a disputa interna a pesar: a ida de Serra para o Ministério é um imenso problema para Aécio e uma grande solução para o capital estrangeiro e seus associados de São Paulo.

Mas esqueçam o “socorro”  da chegada triunfal da “cavalaria do capital externo” para eles. Comprar (e barato) querem, investir não.

E há, ainda, a necessidade de entregar a imensa quantidades de lotes do governo que se negociou durante o processo de traição conduzido pela dupla Temer-Cunha. Haja diretoria “que fura poço”…

Portanto, o governo que se vai erigindo sob o apregoado manto de “restaurar a moralidade e acabar com a crise” já  vai se desenhando com a certeza que fará o inverso com uma e com outra.

Bem cedo, antes mesmo de ascender ao poder com a consumação do golpe, o que vem por aí começa a ser visto em sua nudez horrenda.

Visto, assim, mesmo sem uma imprensa que o exiba com a crueza que fez o comentarista da TV portuguesa disser que havia ali: “uma assembléia geral de ladrões, comandada por um ladrão”a destituir um governo eleito, este arranjo golpista vai ser crescentemente repudiado pelas ruas.

O processo político, quando não sufocado pela força armada, é um processo de revelações, mais rápidas ou mais lentas.

Este, o do desnudar do golpe, será extremamente veloz.

POR FERNANDO BRITO

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