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Morre o pianista brasileiro Nelson Freire, um dos maiores do século 20

MORRE NELSON FREIRE

A morte do pianista Nelson Freire está sendo lamentada pela comunidade da música clássica no Brasil e em todo o mundo.

O pianista brasileiro, considerado um dos maiores do século XX e do início do século XXI morreu no Rio de Janeiro, na madrugada nesta terça feira (1º). As causas da morte ainda são desconhecidas.

Nelson sofreu uma queda em Copacabana em 2019 e passou algum tempo recluso se recuperando. Ele pretendia voltar aos palcos em 2020, mas os planos foram adiados por conta da pandemia.

O site de música clássica “Splipped Disc”, um dos maiores do mundo, destacou “luto por um gigante do piano, aos 77 anos”.

A rádio francesa France Musique, a manchete foi: “A perda de um gigante. O pianista Nelson Freire nos deixou. O brasileiro, próximo de Martga Argerich, era considerado um dos maiores pianistas da segunda metade do Século XX.”

No Twitter, o renomado projeto “Silk Road Symphony” lamentou a morte do pianista.

“Notícias muito tristes. Acabamos de saber da morte de Nelson Freire, que fez parte do nosso conselho musical por mais de 5 anos. Obrigado, Nelson, por todo o apoio humano e pela maestria artística e musical”, disse a publicação.

A revista inglesa “Gramophone”, referência em música clássica, lembrou Nelson Freira como um músico de grande virtuosismo e um pianista de gloriosa sensibilidade poética.

No Brasil, o maestro e também pianista João Carlos Martins disse que Freire estava no auge da carreira.

“Eu considerava o Nelson, talvez hoje, o maior pianista da atualidade. E, sendo brasileiro, uma honra para o nosso país. O Nelson dignificou o nome do Brasil em todos os continentes e, ultimamente, eu o considerava o maior pianista da atualidade”, disse.

Outros amigos e admiradores também lamentaram a morte:

Myrian Dauelsberg, produtora de arte clássica
“Passei a tarde toda de ontem com ele, ele chegou a tocar piano e ainda brincou comigo: ‘Você sabe muito bem que eu não vou voltar a tocar piano como tocava antes’. Ele era muito perfeccionista”.

Arnaldo Cohen
“Nelson certamente foi um dos maiores nomes do piano não só no Brasil, mas no mundo. Esse mundo musical que hoje está de luto. Uma perda imensa para todos nos colegas, público e para nosso país”.

Arthur Moreira Lima, pianista
“Uma noticia muito triste. Conheço Nelson, que sempre chamei de Nelsinho, porque nos conhecemos crianças ainda com menos de 10 anos.

É muito triste para mim e uma grande perda para todos nós que gostávamos tanto dele e sobretudo para a musica brasileira, para a cultura brasileira”.

Isaac Karabtchevsky, maestro
“Como definir um gênio? Um gênio é exatamente isso. Ele descobria efeitos, descobria cores, descobria uma qualidade sonora que emanava do texto musical. Esse era o poder do Nelson”.

Ricardo Cravo Albin, musicólogo
“Não é só o Brasil que perde Nelson Freire. É o mundo que perde Nelson Freire, considerado, quase unanimemente, um dos cinco maiores pianistas deste século XX, começo do século XXI”.

Alexandre Dias, diretor do Instituto Piano Brasileiro
“Ele foi reconhecido por todos os grandes críticos de música, tocou com as maiores orquestras, os maiores regentes e nas principais salas de concerto. Ele deixou um legado que é incomparável”.

Ana Flavia Cabral, vice-presidente executiva da Orquestra Sinfônica Brasileira
“Nelson Freire começou sua carreira com a Orquestra Sinfônica Brasileira, venceu o concurso para solistas em 1956, depois venceu novamente em 1957, deixando uma plateia não só carioca, mas uma plateia mundial, boquiaberta com o seu talento”.

O Theatro Municipal do Rio fez um post em homenagem ao músico destacando a honra de ter tido o pianista no palco. Lá, será realizado às 11h de terça-feira (2), o velório do Nelson Freire.

 Maestro João Carlos Martins
“Quando eu perdi minha mão direita, uma madrugada, ele mandou um WhatsApp depois de ouvir um CD meu e, me incentivando, falou: ‘João Carlos, continue porque sua música é pra poucos’. E eu respondi pra ele: ‘Nelson, a sua diferença entre nós dois é que a sua música é pra muitos’, disse o maestro.

João Carlos Martins sobre morte de Nelson Freire: ‘Suas obras ficaram eternizadas’.

O Ministério das Relações Exteriores também emitiu nota de pesar pelo falecimento do pianista e lamentou a perda de um artista que engrandeceu a cultura brasileira no exterior (veja a nota completa abaixo).

“Freire teve trajetória que o coloca entre os mais destacados pianistas de sua geração e entre os maiores músicos brasileiros de todos os tempos. Em sua carreira, estabeleceu parcerias e criou laços de amizade com músicos e regentes em diversos países, conquistando o reconhecimento da crítica e do público em todo mundo.

Freire se apresentou com as maiores orquestras do planeta, entre as quais a Filarmônica de Berlim, a Orquestra Sinfônica de Londres, a Orquestra Filarmônica de São Petersburgo e a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Muitas de suas apresentações internacionais contaram com apoio do Itamaraty.

O Ministério das Relações Exteriores expressa suas condolências aos familiares, colegas e amigos de Nelson Freire e junta-se aos muitos brasileiros que lamentam a perda de um de seus maiores artistas, que engrandeceu a cultura brasileira no exterior.”

Carreira prodígio

Mineiro de Boa Esperança, nascido em 18 de outubro de 1944, Nelson Freire começou a tocar piano aos 3 anos de idade, vendo a irmã estudar o instrumento. Dois anos depois, ele fez seu primeiro recital, no Teatro Municipal de São João Del Rei.

Naquela noite, os pais se preocuparam que ele dormisse antes da apresentação e fizeram questão de massagear as mãos dele para afastar o frio.

O talento de Nelson o levou à Europa com 12 anos para estudar com os melhores professores. Com 15, ele dava seus primeiros concertos.

Consagrado pela crítica europeia, Nelson se apresentou com as melhores orquestras do mundo e se tornou um dos grandes intérpretes de Beethoven. Ele também era conhecido por ser um grande intérprete de Chopin.

Durante décadas, Nelson se recusou a fazer gravações. Para ele, a música só acontecia ao vivo, diante do público. A partir de 2001, ele começou a lançar grandes discos, como o dedicado à obra de Debussy. Ele também fez interpretações da obra de Villa-Lobos.

RJ1

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