Jornada contra a fome terá atos nesta sexta e sábado em todo o país

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mapa da fome

O aumento da fome no Brasil, a redução do auxílio emergencial em plena pandemia e os ataques à agricultura familiar estão no centro dos debates e das ações da Jornada Nacional de Lutas contra a Fome e por Soberania Alimentar.

Por isso, a jornada realiza mais de 100 atividades em 18 estados nesta sexta-feira (16), Dia Mundial da Alimentação, e também no sábado.

A jornada, que começou na segunda-feira (12), conta com a participação da Via Campesina Brasil, das frente Brasil Popular e Povo Sem Medo, movimentos e organizações do Campo Unitário por Terra Trabalho e Dignidade, Fórum das Centrais Sindicais e o Renda Básica, entre outros.

Entre as atividades para chamar a atenção para o descaso do governo federal com as populações mais vulneráveis, que colocou o Brasil novamente no Mapa da Fome, e pedir o #ForaBolsonaro, estão as da Periferia Viva – articulada pelo Levante Popular da Juventude.

Trata-se de uma iniciativa dos movimentos populares das periferias brasileiras que busca articular apoio aos esforços já em curso de mobilização social e vigilância civil para o enfrentamento à pandemia da covid-19.

Também estão previstas ações de solidariedade envolvendo a campanha Mutirão Contra a Fome. Desde o início da pandemia, essa iniciativa doou mais de 70 toneladas de alimentos para comunidades carentes nas cidades.

Ainda na noite desta quinta-feira, uma live promovida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) reuniu personalidades que dedicam a vida e o trabalho à segurança alimentar e ao combate à fome.

Entre elas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o agrônomo José Graziano da Silva, ex-presidente do Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). Participam ainda a antropóloga Maria Emília Pacheco, o líder do MST João Pedro Stedile, a apresentadora Bela Gil e a atriz e ativista Letícia Sabatella.

Volta da fome

Em todo o mundo, inclusive no Brasil, a fome não para de aumentar. Em 2018, conforme a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 821 milhões de pessoas já passavam fome, em média uma em cada nove pessoas.

O Brasil, que havia saído do Mapa da Fome em 2014, voltou. Dados do IBGE de 2018 indicam 10,3 milhões de brasileiros que passam o dia sem fazer todas as refeições. O quadro foi agravado pela pandemia da covid-19.

O Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) destaca que o cenário de fome, o aumento do desemprego e a carestia dos alimentos fazem parte da política econômica adotada por Bolsonaro.

O governo vetou praticamente toda a Lei Assis Carvalho, com origem no Projeto de Lei 735, o PL da Agricultura Familiar, que garantiam socorro emergencial à agricultura camponesa que produz mais de 70% dos alimentos.

Dados do Censo Agrícola de 2017 indicam que a agricultura familiar responde por 87% da produção de mandioca, 70% do feijão, 46% do milho, 38% do café, 34% do arroz e 21% do trigo. E tem presença na produção de carne, leite e derivados.

Para o MPA, o governo federal é responsável pela fome no país. “Com o veto de Jair Bolsonaro à Lei Assis Carvalho e o péssimo Plano Safra lançado em junho deste ano, fica evidente a sua falta de compromisso com o povo, com a agricultura familiar e camponesa.

Assim, nesta Jornada de Luta, necessitamos demonstrar para sociedade que a saída para crise da fome passa pela Agroecologia e pelo apoio e incentivo a agricultura camponesa e familiar”, diz trecho de nota.

Cida de Oliveira

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