Sete de abril de 2013: dia de luto para o jornalista?

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Com ou sem Lei de Meios, os impérios tradicionais de mídia desmoronarão. Aliás, o verbo não deveria ser mais conjugado no futuro, uma vez que a queda já começou a acontecer e deve se acelerar nos próximos meses e anos. Na última sexta-feira, o centenário Estado de S. Paulo anunciou uma reestruturação editorial que reduz seu conteúdo e seu número de cadernos, dando início também à demissão de 50 profissionais. Em Belo Horizonte, o tradicional Estado de Minas colocou à venda sua sede – assim como ocorre, nos Estados Unidos, com o Washington Post.

 

É nesse ambiente de transição acelerada para um novo modelo de produção e distribuição da informação que, neste domingo, foi “comemorado” o Dia do Jornalista. Uma data que, para muitos, ocorre num momento de luto para a profissão. Em meio à crise, poucos têm sido capazes de enxergar novas oportunidades.

 

Na entanto, a renovação profissional e a busca de novos espaços cabe aos próprios jornalistas. Os que ainda esperam que os barões da mídia tradicional, como Francisco Mesquita Neto, do Estadão, João Roberto Marinho, do Globo, Otávio Frias, da Folha, ou Roberto Civita, da Abril, apontem os caminhos ficarão a reboque de uma indústria que vive sua morte lenta e inevitável.

 

Há, no mundo, e também no Brasil, diversos fatores que conspiram para uma crise ainda mais aguda da mídia impressa. Eis alguns pontos:

 

1) Revolução industrial – Os veículos tradicionais são reféns de um modelo industrial inviável. Produção e distribuição da informação representam dois terços do custo de um jornal. E, para piorar, a informação chega velha à casa do leitor ou à banca de jornal. Na era digital, desaparecem os custos de impressão e distribuição – que, aliás, torna-se muito mais ampla. Jornais que se dizem nacionais vivem limitados ao raio de grandes capitais. Jornais digitais alcançam o mundo.

 

2) Revolução cultural – Os veículos tradicionais também foram concebidos para a era da informação transmitida verticalmente, de cima para baixo, possibilitando a existência de “formadores de opinião”. Na internet, o modelo é horizontal, onde o leitor/comentarista é parte do processo de construção da informação. Nesta nova era, a palavra chave é compartilhamento – o que pressupõe abertura. E os jornais tradicionais erram ao tentar fechar e cobrar por seu conteúdo.

 

3) Revolução política – Os jornais tradicionais foram também concebidos como uma espécie de poder aristocrático ou como pequenos canhões apontados para os palácios, capazes de, com o monopólio da influência, extrair grandes vantagens econômicas. Com a internet, no entanto, a ação política dos meios de comunicação pode ser, cada vez mais, questionada e desmascarada. E as novas vozes que surgem confrontam o monopólio midiático.

 

4) Copyright versus copyleft – Especialmente no Brasil, avança a passos largos o conceito de comunicação pública, em que agências de governo, como a Agência Brasil, fornecem conteúdo gratuito, e em grande quantidade, para os veículos de comunicação, agindo sob os mais estritos princípios éticos e de qualidade. Ou seja: há conteúdo de sobra para a criação de novos veículos de comunicação.

 

É nesse ambiente que os jornais estão morrendo e que a internet floresce. No governo Dilma, prevalece a posição de que a democratização da comunicação deve vir pela expansão da banda larga e pela redução do preço de equipamentos como tablets e smartphones. No PT, a Executiva Nacional defende a Lei de Meios para que se discutam questões como a propriedade privada e a proibição para que políticos detenham concessões de rádio e televisão.

 

O debate é saudável, mas o fato é que a transformação provocada pela internet ultrapassa essa própria discussão. Por um lado, os monopólios midiáticos exibem musculatura, quando se mostram capazes de ditar os rumos até do Poder Judiciário no Brasil, como ocorreu na Ação Penal 470. Ocorre que essa ação foi concentrada em 11 ministros do Supremo Tribunal Federal, suscetíveis a pressões. Quando se trata de influenciar a própria opinião pública, ampla e difusa, o poder de manipulação dos barões da mídia se torna minúsculo (mesmo com 18 minutos no Jornal Nacional) – e uma prova recente disso foi a eleição municipal em São Paulo.

 

Dos patrões da imprensa, não virão mudanças capazes de clarear o cenário para os jornalistas. Aliás, eles só contratam jornalistas porque não são capazes de produzir informação por conta própria. São capazes, apenas, de comercializá-la. A boa notícia é que nunca houve tanto espaço para que os jornalistas se tornem donos do próprio destino e dos seus próprios veículos de comunicação.

Fonte: Brasil 247

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