A travessia dos venezuelanos para o Brasil

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Fábio Gonçalves

Para os venezuelanos que tentam fugir da crise e da miséria que atinge o seu país, chegar até Pacaraima, em Roraima, é só parte da dificuldade. A cidade é o único ponto de entrada oficial entre o Brasil e a Venezuela, e quem consegue chegar até a fronteira precisa enfrentar longas filas e conseguir o transporte até Boa Vista, a 215 km dali.

Com a viagem cada vez mais cara por conta da inflação venezuelana, há quem faça o trajeto a pé até a capital de Roraima, onde milhares de venezuelanos vivem hoje, em busca de trabalho e de uma vida melhor.

A rota venezuelana até Pacaraima não é nova. A estrada é a mesma usada por brasileiros que buscam ecoturismo na Grande Savana ou que dirigem até o Caribe venezuelano. O trajeto também era feito pelos garimpeiros em busca de ouro venezuelano na região de El Dorado.

De Caracas até Santa Elena de Uairén, na fronteira, há uma longa viagem de 1.300 km. A travessia chega a durar 24h de ônibus. Muitos a enfrentam também de carro, seja próprio ou fretado.

Santa Elena de Uairén fica a 15 km de Pacaraima, e os venezuelanos usam táxis coletivos que, por conta do baixo preço do combustível na Venezuela, cobram cerca de R$ 5 pelo trajeto até o posto da PF, onde é feita o ingresso legal no Brasil.

O valor pode parecer baixo para os brasileiros, mas o salário mínimo venezuelano é de 248.510 bolívares, o que, no câmbio paralelo de dólar, equivale a pouco mais de R$ 9. Enfrentando uma grave situação econômica, cada vez mais venezuelanos fazem esta rota caminhando.

A fronteira entre Brasil e Venezuela é “seca”, demarcada de forma muito simples quando é demarcada. Por conta do acordo do Mercosul, mesmo com a Venezuela suspensa do bloco, os cidadãos do país vizinho só precisam apresentar um documento de identificação válido e em bom estado (da mesma forma que brasileiros entram na Argentina, no Paraguai e no Uruguai, por exemplo.

Pacaraima tem o único posto oficial da fronteira com a Venezuela em Roraima. Em 2017, foram registradas as entradas de mais de 70,7 mil venezuelanas somente por via terrestre ali, segundo a Polícia Federal. No mesmo período, a PF contabilizou 28,9 mil saídas de venezuelanos por via terra a partir de Roraima.

Os números não apontam a quantidade de venezuelanos no país, um mesmo venezuelano pode ter entrado e saído mais de uma vez no país. No entanto, os dados apontam o aumento do fluxo de entrada na região.

A prefeitura de Boa Vista diz que mais de 40 mil venezuelanos vivem na cidade atualmente. Segundo o IBGE, Boa Vista tinha 332 mil moradores sem levar em conta os novos moradores venezuelano.

 

Talita Marchao

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