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França tenta ditar ao Mali com quem pode colaborar, isso é inaceitável e não dá boa imagem

Mali sozinho no combate aos extremistas após retirada da França

A França e os países ocidentais estão tentando afastar a Rússia do Mali tratando o país africano como uma posse colonial, afirmou Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores russo.

 A Rússia entende, mas não vê com bons olhos, a tentativa da França e de outros países da União Europeia (UE) de dominar na África e outras regiões, comentou na sexta-feira (20) Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores russo.

“Nós entendemos, mas não simpatizamos com a tentativa, tanto da França como de outros países da União Europeia, de aspirar a um certo papel dominante em uma ou outra região do mundo […] falando da África, quando em setembro do último ano estive em Nova York em uma sessão da Assembleia Geral [das Nações Unidas], tive um encontro com Jean-Yves Le Drian, ministro das Relações Exteriores da França, e, por sinal, Josep Borrell, atual chefe das Relações Exteriores da UE”, lembrou Lavrov.

“Eles ambos me expressaram, e com tanta seriedade, preocupação com o fato de que a Rússia desenvolve contatos com a África, e particularmente com Mali, e colocaram esta posição de forma colonial, dizendo que a África é uma esfera de influência e na zona de interesses da União Europeia”, disse ele aos jornalistas após falar com Abdoulaye Diop, seu homólogo de Mali, acrescentando que não pode aceitar tais argumentos.

Segundo Lavrov, a França tenta ditar ao Mali com quem o país pode cooperar.

“Atualmente nossos colegas franceses tentam ditar a Mali com quem podem falar, e com quem é proibido falar. Isso não é aceitável e não dá boa imagem da República Francesa, e não dá boa imagem das maneiras francesas”, resumiu o chanceler russo.

Ao mesmo tempo, ele sublinhou que Moscou está pronta para discutir com a França e o Ocidente qualquer questão internacional, mas com base no respeito pela liberdade de escolha de outras regiões.
Panorama internacional

“Estamos prontos para discutir qualquer assunto internacional com nossos colegas ocidentais, franceses, outros, mas com uma condição: faremos isso educadamente, com base no respeito aos interesses uns dos outros e, mais importante ainda, com base no respeito [ao direito] de qualquer região e de qualquer país em questão, neste caso o Mali, de escolher livremente seus parceiros, sem qualquer ditado”, defendeu o diplomata.

Para Lavrov, a insatisfação francesa com a “disposição da liderança maliana de recorrer a órgãos externos que ofereçam proteção e segurança não passa de uma recaída no pensamento colonial, do qual os europeus já deveriam ter se livrado há muito tempo”.

“Foi dada atenção especial aos aspectos práticos da organização de entregas da Rússia de trigo, fertilizantes minerais e produtos petrolíferos tão necessários aos malianos diante das sanções ocidentais ilegítimas.

 Todas estas questões estão sendo trabalhadas através das agências relevantes, e, com base nos resultados desta visita, apresentaremos propostas relevantes ao governo da FR [Federação da Rússia]”, explicou o ministro das Relações Exteriores da Rússia.
Ele também notou uma “boa dinâmica dos laços militares e técnico-militares”.
“Confirmamos a prontidão da Rússia como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU para continuar contribuindo para a normalização da situação em Mali, para fornecer apoio abrangente a Bamako em uma base bilateral, inclusive em termos de melhorar a prontidão de combate das Forças Armadas   malianas e  do  treinamento  de  soldados  e  policiais”,  descreveu.

AFP 2022 / Olivier Matthys
Sputnik

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