Putin joga nos erros de Obama e apoio a Russia cresce na Europa

Le Fígaro

O jornal francês Le Figaro tem um público conservador, de centro-direita.

Isso não impediu que, numa enquete promovida por ele desde ontem, 91% dos mais dos 75 mil  leitores que participaram tenham respondido favoravelmente à inclusão da Rússia na coalizão antiterror.

A decisão de Putin em atacar o Estado Islâmico e a dubiedade norte-americana, que diz combater o Isis mas arma grupos de oposição ao Governo da Síria que operam em conjunto com o Ísis, recolocou a Rússia na primeira linha das esperanças de interromper as atividades do EI na Europa.

O presidente fez hoje um apelo pela ampliação da coalizão internacional. Você pode interpretar isso como um apelo a que os EUA aceitem a presença russa. Ou, se começar a ler as entrelinhas, um apelo aos EUA  para que reduza sua intervenção na Síria ao combate ao Isis.

A França, que foi um dos mais fortes aliados dos Estados Unidos na campanha contra o Governo Sírio de Bashar Al-Assad, já declarou que, agora, seu inimigo é o Isis. A Rússia, então, moveu uma peça à frente: disse que não aceita uma fórmula para a Síria que exclua o governo do país.

Na prática, a França já o aceitou, porque sabe que os russos, através de Assad, são quem tem tropa terrestre para ameaçar o controle territorial do Isis no país, coisa que os EUA não quer fazer nem mesmo no Iraque, seu protetorado, onde o “Exército Islâmico” opera livremente na região de Mossul e só enfrentou oposição dos curdos, que têm apoio da Rússia.

Fernando Brito

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