A pauta é única: cassação da chapa ou vida de gado

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Morão e Bolsonaro

Um país onde crimes não viram crimes, dada à conveniência do momento político: “poderia ser muito traumático”, diz um velho político da direita. Um país onde as investigações não se aprofundam, porque podem trazer instabilidade, um país, onde não se pode iniciar um justo processo de impeachment, está sem rumo.

Perdeu-se nas nuances entre o que é probo, o que é correto, e o que é “compatível” com um calendário eleitoral que se impõe sobre todas as coisas.

Trancado no palácio com um “diagnóstico” de Covid-19, o mandatário faz do celular a continuidade de sua orelha. Articula, gesticula, simula. Enquanto isto, o país miseravelmente “naturalizou” a pandemia. Ao ouvir os números de contagiados ou mortos pela doença, as famílias seguem o jantar, como se estivessem ouvido índices sobre a movimentação da bolsa de valores, ou sobre a alta do dólar.

Não dói mais, exceto para os envolvidos no drama, os que têm parentes internados ou mortos. Pode soar chocante, mas não há imagem, chamadas de TV, Internet ou de jornal que toquem mais a população sobre o drama a que estamos submetidos. Foi assim que Bolsonaro procedeu. Foi assim que a população assimilou.

Pode parecer um comentário cru, mas a realidade nacional nos molda, a cada dia, como estatuetas de pedra sabão.

Vamos ficando imóveis, frios, mas maleáveis como aquela pedra, nos acomodando ao sabor dos acontecimentos. E que acontecimentos. Não esperem entrar na Internet e ver ou ouvir notícia boa. Vamos ladeira abaixo, sem poder de reação, estapeados a cada minuto.

Enquanto outros países já sacodem os tapetes e os colocam ao sol, abrem as janelas de suas casas e seguem regras que possibilitem a retomada do cotidiano, nós aqui somos isolados em nosso território, tratados como “indesejáveis” pelo resto do mundo.

E daí? E daí que isto nos desmoraliza, nos diminui.

Estamos como uma ilha, cercados de malefícios por todos os lados. A saída poderia ser pela via jurídica, mas há o recesso. Havemos de esperar. Há o presidente da Câmara, que suspira e fala na pandemia a cada cobrança por desengavetar os pedidos de impeachment, mas aguarda e costura para que ele não aconteça.

Estofa as relações. Coloca plástico bolha nas arestas, numa vergonhosa tentativa de ganhar tempo enquanto se constrói um candidato viável, do seu campo, ou o que está lá na cadeira sofra uma metamorfose e consiga atravessar o tempo regulamentar.

Tivesse o presidente da Câmara, de fato, preocupado com o coronavírus que dizima a população, e conseguiria enxergar que a sua atitude “conciliatória” é mais letal do que o próprio vírus, pois conserva à frente do país aquele que traça estratégias mortais. Coloca o país em banho-maria, enquanto um irresponsável dá as costas para o que importa, as ações sanitárias. Danem-se os índios, danem-se os pretos quilombolas.

nós ouvimos quando o finado Weintraub disse com todas as letras, na reunião de 22 de abril, que detestava “minorias”. Este não é um pensamento exclusivo do ex-ministro – já foi tarde – Weintraub. Este é um mantra deste governo, que retira recursos dos índios e dos quilombolas, para deixá-los morrer.

Quem sabe assim, reduzem os problemas do governo na área social?

Estamos ao sabor das tramoias dos que nos manipulam há séculos. E mais uma vez vamos assistir um “conchavão” das forças tradicionais da direita, amarrando os nossos destinos a “eleições” em que vamos lá fazer figuração nas urnas.

Que as autoridades envolvidas nas decisões sobre os processos em andamento no STF e no TSE entendam de uma vez por todas que esta é uma pauta que precisa ser unificada. Ou caçamos a chapa eleita notoriamente por caminhos canhestros do WhatsApp, ou seguiremos como na canção de Zé Ramalho: Êh, vida de gado/Povo marcado/Êh, povo feliz!

Denise Assis

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