As confusões têm início no PSDB provocadas pela sucessão de Rodrigo Maia

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PSDB, briga sucessão Maia

O movimento do bloco governista na Câmara para incorporar parte do PSDB ao grupo levou a uma nova crise interna dentro do partido com a indicação do deputado Celso Sabino (PSDB-PA) para líder da Maioria na Câmara – cargo hoje ocupado pelo deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), aliado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e relator da reforma tributária.

A cúpula tucana, que prega independência em relação ao governo de Jair Bolsonaro, não aprovou a participação do filiado no movimento articulado por aliados do chefe do Poder Executivo e o ameaçou de expulsão.

O presidente do PSDB, Bruno Araújo, tentou intervir na indicação antes, mas o requerimento foi protocolado e, ontem, Araújo divulgou nota em que diz que dará seguimento à desfiliação do correligionário “considerando a posição política do PSDB em relação ao governo federal”.

Sabino é do grupo mais governista do PSDB, liderado nos bastidores pelo deputado Aécio Neves (MG) e que, no fim do ano, tentou elegê-lo líder da bancada na Câmara.

O grupo conseguiu maioria num primeiro momento, mas depois acabou derrotado pelo governador de São Paulo, João Doria, que fez uma manobra para manter o então líder Carlos Sampaio (SP) no cargo.

Segundo um tucano, Araújo recebeu aval dos governadores do PSDB e está convicto em expulsar o colega do partido “para servir como exemplo” para o grupo de Aécio e também como sinalização para 2022, quando a legenda quer concorrer à Presidência contra Bolsonaro – Doria e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, são os mais cotados.

Apesar de ser um aceno ao grupo governista, a indicação do tucano para líder da Maioria pegou de surpresa também parte dos seus aliados.

Não houve consulta prévia a bancada da Câmara e o PSDB, apesar de fazer parte desse bloco, não assinou o requerimento para tirar Aguinaldo da função.

O Valor não conseguiu entrar em contato com Sabino, mas, a interlocutores, ele disse que não abriria mão do cargo porque ele lhe daria visibilidade para a eleição para a Prefeitura de Belém, na qual ele é pré-candidato, e também pela abertura de portas dentro do Executivo.

O requerimento para troca do líder do governo acabou indeferido ontem por Maia por uma questão processual – o documento foi enviado por e-mail e não pelo sistema interno de registro da Câmara -, mas os líderes dos partidos governistas voltaram ontem a articular a substituição e recolhiam as assinaturas para pedir novamente a troca.

Maia tentou demovê-los, mas, até a noite de ontem, dos dez partidos que apoiaram o primeiro requerimento, apenas o PSL ainda não tinha assinado o novo. A divisão interna do PSDB não mudou o cenário e o grupo trabalhava, de novo, pela escolha de Sabino como o líder da Maioria.

O cargo tem pouca relevância desde que o governo conseguiu montar uma base aliada mais sólida na Câmara, mas a disputa tem como pano de fundo a eleição para a presidência da Câmara em fevereiro.

Aguinaldo é um dos possíveis candidatos, assim como o líder do PP, deputado Arthur Lira (AL), que comanda o bloco governista. A saída do cargo sinaliza seu enfraquecimento para os outros parlamentares.

Outro que cogita a candidatura é o presidente do MDB, Baleia Rossi (SP), que há duas semanas decidiu deixar formalmente o bloco formado pelo PP para divisão dos cargos em comissões – decisão que dá mais liberdade ao partido para apresentar requerimentos em plenário.

O requerimento para substituir Aguinaldo na liderança da Maioria – que representa os partidos desse bloco do PP – estava pronto há mais de um mês, com o argumento de que ele já não tinha articulação com essas legendas depois que elas se aproximaram do governo, enquanto ele preferiu se manter aliado a Maia.

Mas foi protocolado anteontem, após a saída de MDB e DEM desse bloco. Com a indicação de um tucano, o grupo tenta consolidar os votos dos 10 ou 15 deputados do PSDB mais governistas para essa candidatura.

Valor Econômico

 

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