DORA ABRE TESE DO DOMÍNIO DO FATO CONTRA LULA

Lula, domínio do fato.

Depois de José Dirceu, preso na segunda-feira na Operação Lava Jato, será a vez do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa é a tese defendida pela jornalista Dora Kramer, colunista do jornal Estado de S. Paulo.

Dora é a primeira formadora de opinião a usar a teoria do “domínio do fato” para tentar incriminar o ex-presidente Lula. É o que ela faz em sua coluna desta quarta-feira, chamada justamente “domínio dos fatos”.

“Vamos ao ponto: José Dirceu só fez o que os investigadores da Operação Lava Jato dizem que ele fez na Petrobras e cercanias da máquina pública porque a instância superior a ele deixou que fizesse”, disse ela.

“Resta saber – e comprovar – se a instância superior a José Dirceu, a presidência da República à época ocupada por Luiz Inácio Lula da Silva, detinha o domínio daqueles fatos”, prosseguiu a jornalista.

Dora também sinaliza que Lula é o alvo real da Lava Jato. “Os investigadores já deram várias demonstrações de que não lhes falta rumo. Sabem aonde querem chegar, mas percorrem o caminho passo a passo, a fim de evitar movimentos em falso que já puseram a perder outras operações em função de nulidades judiciais”, diz ela.

“Obviamente as investigações se direcionam na busca de evidências que permitam desvendar a cadeia de comando até o topo. Acima dele, só havia o então presidente que lhe conferiu delegação para transitar no governo na posição de ‘capitão do time’. Não será surpresa que venham a se interessar pelos sinais exteriores de riqueza de Lula”, afirma.

Ontem, dois artigos publicados no 247, pelos colunistas Breno Altman e Tereza Cruvinel, indicaram que a nova narrativa da Lava Jato, que substitui a tese do “cartel de empreiteiras” por um suposto esquema idealizado por Dirceu, prepara o terreno para que Lula venha a ser o próximo alvo da operação.

“Não precisa de muito esforço para registrar que estamos diante de sorrateiro enredo, cuja meta essencial é desgastar o ex-presidente da República e, talvez, levá-lo aos tribunais e à prisão”, escreveu Altman.

“Possivelmente não irá demorar para ser apresentado o próximo capítulo: se José Dirceu, então ministro, montou o suposto “esquema de propina”, que teria sobrevivido depois de sua saída do ministério, quem teria ordenado a continuidade da operação?

Perguntarão os roteiristas da Lava Jato e seus apaniguados: quem seria o chefe do chefe?”, questionou (leia mais em Prisão de Dirceu dá cavalo de pau na tese da Lava Jato).

Em seu artigo, Tereza Cruvinel também antecipou que seria construída a narrativa do domínio do fato contra o ex-presidente Lula.

“Ora, se Dirceu é um ‘dos líderes principais’, se os presidentes das maiores empreiteiras já foram presos e alguns viraram delatores, se todos os operadores e funcionários corruptos já foram identificados, quem mais falta?

Estão apontando o fuzil para Lula, vão prendê-lo e acusá-lo de ser o grande chefe”, escreveu ela. “Faltarão provas?

Não tem importância.

Para isso existe a teoria do domínio do fato, que já não precisará ser aplicada a Dirceu. Fica reservada para Lula, que já nem tem direito ao foro privilegiado.

Como presidente da República, tinha responsabilidade sobre tudo o que faziam sob sua liderança política e funcional, como disseram no STF em relação a Dirceu quando chefe do Gabinete Civil.

Leonardo Attchu

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