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Hospital da mulher tem programação especial de prevenção a prematuridade

Parto prematuro e suas causas são temas de programação no Hospital da Mulher

Gestação na adolescência, falta de cuidados pré-natais, tabagismo e a desinformação são alguns dos desencadeadores da prematuridade no Brasil, segundo aponta estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). A cada 30 segundos um bebê morre em consequência do nascimento antecipado. A gravidez completa dura entre 37 e 42 semanas. Os bebês que nascem com menos de 37 semanas de gestação são considerados prematuros.

Durante esta semana, o Hospital Inácia Pinto dos Santos (Hospital da Mulher), pertencente a Prefeitura de Feira de Santana, promove uma programação especial para marcar o 17 de novembro, Dia Internacional da Sensibilização para a Prematuridade. A data foi criada em 2009 e é adotada em mais de 50 países, dentre os quais Canadá, EUA, Austrália, Portugal e Brasil.

Na ampla programação, oficinas de sensibilização ao uso do método Canguru (Baby Sling), de produção de sentidos, executados por estudantes estagiários do hospital, oficinas de confecção da flor de “luz” e de massagem Shantala, com profissional de fisioterapia, no Método Canguru.

Uma minipalestra com o tema “olhar sobre a prematuridade”, realizado na Casa da Puérpera, e roda de conversa com relato de mães de prematuros preenchem o leque de atividades na Semana da Prematuridade HIPS 2017 ou Novembro Roxo.

Em todos esses eventos, o objetivo de mostrar a importância da assistência médica adequada aos bebês, e a prevenção do parto prematuro quando possível, a partir de um pré-natal completo. A programação contribui ainda para aumentar a visibilidade sobre o assunto e desmistificar o fato de que prematuros tenham qualquer tipo de complicação durante seu desenvolvimento e crescimento.

Mais de 450 bebês nasceram de parto prematuro (normal ou cesáreo), no Hospital Inácia Pinto dos Santos, o Hospital da Mulher, de janeiro a agosto deste ano. Este número corresponde a aproximadamente 11 por cento dos 4.472 nascimentos na unidade de saúde, neste período. A estatística da Fundação Hospitalar de Feira de Santana revela quantitativos equivalentes à média nacional.

Segundo inquérito nacional sobre partos e nascimento elaborado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), anualmente nascem no mundo mais de 15 milhões de bebês prematuros e, no Brasil, estes perfazem o percentual de 12,4% dos recém-nascidos – quase duas vezes superior à observada nos países europeus – o que faz do país o 10º no ranking de nascimentos prematuros.

Este ano, o número de recém-nascidos naturalmente no Hospital da Mulher superou o quantitativo por cesariana, totalizando 2.387 bebês. Em todos os meses, a média (300 partos) da quantidade de mães que foram submetidas ao parto normal é superior à terapêutica cesariana anteparto.

Ainda, segundo a pesquisa da Fiocruz, a prematuridade espontânea corresponde a 58% dos casos e a terapêutica (provocada por intervenção médica) é de 41%. Quase todos (90%) ocorreram por cesariana sem trabalho de parto. Nos países desenvolvidos, a taxa é de 30%.

Prematuridade tem maior incidência nas regiões mais desenvolvidas

Paradoxalmente, as regiões mais desenvolvidas (Sul e Sudeste) são as que apresentam os maiores percentuais de prematuridade (12% e 12,5%, respectivamente), seguidos pela Região Centro-Oeste (11,5%), Nordeste (10,9%) e Norte (10,8%).

Um fator que chama atenção no estudo da UNICEF Brasil é como a cor de pele e a etnia influenciam na prevalência da prematuridade. As mulheres indígenas apresentam o maior percentual, de 8,1%. As mulheres de pele branca respondem pelo percentual de 7,8%, seguida pelas mulheres de pele negra (7,7%), parda (7,1%) e amarela (6,3%).

Outro fator que também pode influenciar nos partos prematuros é a idade da mãe. A maior prevalência nesse quesito foi encontrada entre as gestantes abaixo dos 15 anos de idade, respondendo com uma prevalência de 10,8% contra a menor taxa encontrada, 6,7%, entre as mulheres na faixa dos 20 aos 34 anos.

Jucélia de Souza Machado, lavradora no município de Santo Estevão, relata emocionada o dia em que deu entrada na unidade [31 de outubro] e pariu dois meninos e uma menina, trigêmeos prematuros. Ela, durante o processo de gestação, apresentou quadro hipertensivo ainda no 30º mês.

“Fiz todo o pré-natal e optei pelo parto cesáreo, pois apenas um deles [bebês] tinha condição de nascer [parto] normal”, explica. Ela acrescenta que o tratamento e acolhida na unidade, após constatar pressão alta, um dos indicadores para a prematuridade, foram importantes no momento de fragilidade enquanto genitora.

Outra paciente, Geane da Silva Lima Santos, dona de casa, teve filho no último domingo, 12, e acredita que a ansiedade foi o fator desencadeador para o parto prematuro.

“Recebi uma informação, em uma avaliação médica, que estava com cistos na região da cabeça. Um dia após comecei a sentir fortes e percebi sangramento. Quando cheguei ao hospital [HIPS] a bolsa [amniótica] já estava rompida”, explica.

Elieide Brito, dona de casa, natural do município de Monte Santo, que encontra-se na Casa da Puérpera do Hospital da Mulher, atribui a prematuridade do bebê ao fato de ter presenciado outra filha, de dois anos, receber uma descarga elétrica. “Fiquei tão abalada com a situação que fui parar no hospital. Não deu outra, tive que parir imediatamente”, relata.

Secom

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