Carlos Lima
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Cinema
Carlos Lima | Publicado em 16/01/2020 às 09:56:50

‘Jumanji: Próxima fase’ diverte ao inverter personagens, mas abuso de clichês incomoda

‘Jumanji: Próxima fase’ diverte ao inverter personagens, mas abuso de clichês incomoda Foto: Divulgação

O segundo filme de uma franquia que já nasceu velha tinha tudo para ser mais um longa genérico feito para lucrar. Mas “Jumanji: Próxima fase” diverte por inverter expectativas e adicionar dois veteranos a um elenco entrosado.

Se você não viu ou não se lembra de “Jumanji: Bem-vindo à selva”, aqui vai uma ajuda: quatro alunos resolvem jogar um videogame antigo durante uma tarde na escola, mas são sugados para dentro do jogo. Ali, cada um está na pele de um avatar diferente e precisa sobreviver em uma floresta para vencer o jogo e voltar ao mundo real.

Em “Próxima fase”, a premissa para levar todo mundo de volta ao game é inteligente, mas a execução deixa a desejar.

Spencer (Alex Wolff), o nerd desajustado, enfrenta problemas emocionais em sua jornada em Nova York e seu primeiro ano de faculdade. Se sentindo sozinho e incapaz, resolve voltar ao videogame para viver outra vez na pele do poderoso Dr. Smolder Bravestone (Dwayne Johnson “The Rock”).

Teria sido interessante explorar mais essa fase de Spencer, em uma discussão parecida com a bem executada em “San Junipero”, episódio premiado de “Black Mirror”. Mas o filme perde essa oportunidade e opta por acelerar a história no mundo real, indo o mais rápido possível para dentro do jogo.

O fator Glover/DeVito

Se o diretor erra em não aprofundar uma história mais densa no começo é porque sua carta na manga está na leveza da comédia. Desta vez, não são os quatro amigos que vão juntos para dentro do jogo.

Enquanto Bethany (Madison Iseman), Martha (Morgan Turner) e Fridge (Ser’Darius Blain) estão no sótão de Spencer decidindo como vão resgatar o amigo, os ex-sócios Eddie (Danny DeVito) e Milo (Danny Glover) tentam um acerto de contas no andar de cima. Quando os jovens acionam o jogo, os dois também são sugados para o mundo de Jumanji.

E aí começa a inversão de personalidades: Dwayne Johnson é responsável por encarnar o personagem teimoso de DeVito, Kevin Hart fica encarregado do lento personagem de Glover e Black precisa condensar toda a vitalidade do jovem atlético Ser’Darius.

É nessa mistura de papéis que o segundo filme se descola do primeiro e mostra que ainda tem alguns elementos surpresa nesse jogo.

Mas nem todas as jogadas são certeiras. Se no primeiro filme existe o desafio da descoberta, neste tudo já está dado. Ele se apoia então em trocas de cenários (floresta, deserto e até um castelo medieval estilo “Game of thrones”), com muitas sequências de ação para entreter e preencher tempo de tela.

Os clichês de todos os gêneros (ação, aventura e comédia) aparecem e incomodam, assim como a sensação de “déjà-vu”, mas a equipe reconhece e zomba e de si mesma em diversos momentos.

Mais mulheres mais poderosas

A personagem de Karen Gilan era a única mulher entre os avatares de Dwayne Johnson, Kevin Hart e Jack Black, e encarnava a tímida Martha.

Agora, ela deixa para trás a adolescente insegura e se torna a líder da equipe. Fica responsável por colocar todo mundo nos eixos e salvar o dia, além de protagonizar algumas das cenas de ação mais decisivas do longa.

Ela também ganha a companhia da atriz Awkwafina, no papel da avatar Ming Fleetfoot. Sua chegada adiciona um humor debochado e natural, um bom contraponto para Black e Hart.

Vem bilhão aí?

“Jumanji – Bem-vindo à selva” se provou um grande azarão após seu lançamento, em 2017. Com uma arrecadação de US$ 404 milhões nas bilheterias norte-americanas, se tornou o filme de maior receita da história da Sony Pictures no mercado doméstico. No mundo todo, ele somou US$ 962 milhões.

“Próxima fase” só chega ao Brasil nesta quinta (16), mas estreou nos Estados Unidos no começo de dezembro. A bilheteria do primeiro final de semana rendeu quase o dobro da do primeiro filme e, em 43 dias, ele já arrecadou US$ 672 milhões, 70% da receita total do antecessor.

Se sua performance nos países em que ainda não estreou repetir o sucesso doméstico, ele facilmente passará a cifra de US$ 1 bilhão.

Se depender da Sony, a história não acaba aqui: cenas pós-crédito revelam que o diretor Jake Kasdan quer beber na fonte do clássico de 1995 e voltar para o mundo real.

Thaís Matos

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