Carlos Lima
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Carlos Lima | Publicado em 06/10/2017 às 17:46:13

Comitê Olímpico Brasileiro é suspenso do movimento olímpico e Nuzman, afastado do COI

Comitê Olímpico Brasileiro é suspenso do movimento olímpico e Nuzman, afastado do COI presidente do COB preso pela PF

No pior golpe já sofrido pelo movimento olímpico brasileiro, o COI anuncia que o COB está suspenso temporariamente, afasta Carlos Arthur Nuzman e corta todos os repasses ao Brasil, inclusive para sanar o deficit deixado pelos Jogos Olímpicos.

Mas o COI vai permitir que os atletas brasileiros possam continuar a representar o País nos Jogos de Inverno de 2018.

A decisão foi adotada pelo Conselho Executivo do COI nesta sexta-feira, depois de avaliar as alegações da polícia sobre os dirigentes brasileiros e a suposta compra de votos pelo Brasil para sediar os Jogos de 2016.

Sobre Nuzmam, o COI indicou que ele está suspenso provisoriamente de todos os seus “direitos, prerrogativas e funções derivadas de seu cargo de membro de honra do COI”.

Ele ainda foi afastado da Comissão de Coordenação dos Jogos de 2020, em Tóquio.

A pior crise na história do esporte nacional ocorre apenas um ano depois que o Rio sediou os primeiros Jogos na América do Sul e que teria de ser um trampolim para transformar o Brasil em um “país olímpico”.

Aconselhado por advogados e pressionado por patrocinadores, o COI tomou a decisão inédita de cortar relações com um país que acaba de ser sede de seu maior evento.

A meta é a de blindar sua reputação diante de uma crise que, segundo fontes envolvidas no processo judicial, poderá revelar ainda uma dezena de nome de dirigentes implicados na corrupção.

Mas as medidas adotadas pelo COI não se limitam ao dirigente e decide suspender o próprio COB de toda sua relação com a entidade internacional.

A decisão foi tomada depois que a Comissão de Ética do COI concluiu que o escândalo de compra de votos e sua prisão no Brasil era “grave e urgente”.

Para o órgão presidido pelo ex-secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, a crise tem um “impacto na reputação do COI” e, portanto, uma ação teria de ser adotada.

A Comissão de Ética admitiu que, diante do andamento do processo no Brasil “não está em uma posição para fazer uma recomendação sobre o valor das alegações” sobre a compra de votos.

“Portanto, a Comissão decide manter as investigações”, explicou, destacando a importância em respeitar a presunção de inocência.

O que pesou, portanto, foi o impacto que o escândalo tem para a imagem do COI.

Usando o código de Ética da entidade, a decisão assinada por Ban Ki Moon aponta que não levaria em conta apenas os fatos, “mas suas consequências para a reputação” da entidade internacional.

De acordo com a regra 59 da Carta Olímpica, a suspensão significa que “todos os pagamentos e subsídios do COI para o COB estão congelados”.

Outra medida adotada é que o COB não será autorizado a exercer seus direitos de membro entre as associações de comitês nacionais olímpicos.

Se os dirigentes brasileiros estão sendo punidos, o COI insiste que os atletas não ficarão fora dos torneios. “Para proteger os interesses dos atletas brasileiros, essa decisão não afetará os atletas”, garantiu.

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Portanto, o COI “aceitará um time olímpico brasileiro nos Jogos de Inverno de PyeongChang em 2018 em todas outras competições sob o guarda-chuva do COB com seus direitos e obrigações”.

Essa suspensão será encerrada quando problemas de governabilidade do COB tenham sido lidados de “forma satisfatória” e consideradas pelo COI.

Conforme o Estado antecipou em sua edição desta sexta-feira, o COI ainda está suspendendo todos os repasses ao Brasil, inclusive para cobrir o rombo da Rio 2016.

Para justificar a decisão, o COI aponta que tanto Nuzman como Leonardo Gryner, também preso, estavam no comando do Comitê Organizador dos Jogos por “muitos anos”.

“O COI encerra todas suas obrigações com o Comitê Organizador em dezembro de 2016, como confirmado”, disse.

De acordo com Lausanne, a contribuição que foi dada pelo COI ao Rio “extrapola de forma significativa suas obrigações contratuais”. Na época, o dinheiro – cerca de US$ 1,5 bilhão – foi dado “considerando a grave crise afetando o país”.

“O COI suspende provisoriamente todas as demais relações com o Comitê Organizador”, disse a entidade. Uma vez mais, essa suspensão será revista quando os problemas de governança forem lidados.

Afastamento – Depois de chamar Nuzman de “grande amigo”, Thomas Bach, presidente do COI, agora busca um distanciamento da crise brasileira como forma de permitir a sobrevivência de sua própria credibilidade.

No comunicado, a entidade “reitera seu total compromisso com a proteção da integridade do esporte”. “O COI continuará a lidar com qualquer problema afetando a integridade sob as regras e regulações de seu novo sistema de governança”, disse.

Além de suspender Nuzman, o COI indicou que vai pedir que as autoridades judiciais do Brasil e França entreguem à entidade qualquer tipo de informação disponível. “O COI irá cooperar plenamente com a Justiça”, declarou.

“É do maior interesse do COI ser capaz de lidar com assuntos relacionados com seus membros para poder proteger sua reputação como uma organização”, disse.

Nem todos na Justiça, porém, concordam com tal gesto. Investigadores que conversaram com o Estado alertam que precisam manter um grau importante de sigilo sobre a corrupção no movimento olímpico, justamente para permitir que os suspeitos possam ser identificados antes que provas desapareçam.

ENTENDA O CASO

Um braço da Operação Lava Jato, denominada Unfair Play, investiga a participação de Nuzman e seus pares na compra de votos para a escolha do Brasil como país-sede da Olímpiada do Rio. O cartola foi preso anteontem porque havia a desconfiança de que ele pudesse atrapalhar as investigações. Os advogados de Nuzman tentam um habeas corpus.

A reportagem do Estado localizou o depósito na Suíça onde o dirigente do COB guarda 16 barras de ouro avaliadas em R$ 2 milhões.

Nuzman não havia declarado as barras em seu Imposto de Renda. Só o fez depois de a informação ter sido revelada pela Polícia Federal. Nuzman continua preso no Rio.

Jamil Chade, correspondente em Genebra

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