Carlos Lima
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Carlos Lima | Publicado em 17/01/2020 às 11:59:44

Lavagem do Bonfim é marcada por dispersão da base de Rui e sombra de ACM Neto

Lavagem do Bonfim é marcada por dispersão da base de Rui e sombra de ACM Neto Festa Senhor do Bonfim

Dois fatos chamaram atenção na Lavagem do Bonfim de 2020.

A dispersão dos aliados do governador Rui Costa (PT), que não tiveram um balizador durante o trajeto entre a Conceição da Praia e a Colina Sagrada, e a situação do vice-prefeito Bruno Reis que, mesmo na condição de pré-candidato do DEM a prefeito, seguiu na sombra do padrinho político, ACM Neto. Ou seja, houve o cumprimento da expectativa criada em torno da festa profana.

Sem Rui e sem um eventual substituto, a exemplo do ex-governador Jaques Wagner, que participou apenas do ato ecumênico, o grupo de partidos ligados ao Palácio de Ondina ficou sem norte.

Não houve a concentração comum no entorno do governador, então os blocos ficaram completamente dispersos, quase que independentes. P

ara quem almeja um espaço nas urnas em 2020, foi uma boa oportunidade. No entanto, sem o grande eleitor da oposição, não foi possível sequer testar uma eventual transferência de popularidade.

O PT manteve o discurso de quatro candidaturas viáveis.

Para quem acredita na inocência total e incondicional do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é bem coerente a postura.

No mundo real, não precisa ser expert em política para saber que esses sucessivos adiamentos de uma definição devem colocar para escanteio qualquer candidato lançado.

É uma questão de opção, motivada pela falta de opção a partir de um problema de planejamento. O partido escolheu não construir novas lideranças e paga por esse erro histórico – que tende a se repetir em outros pleitos, caso a legenda não mude de posicionamento.

Outros partidos como PSB, PCdoB e Podemos colocaram a cara dos possíveis candidatos no sol. Lídice da Mata, Olívia Santana e Bacelar conseguiram algum tipo de espaço na imprensa, mas o movimento se restringiu a isso.

É pouco para uma candidatura a prefeito, mas melhor que nada, no comparativo com outro nome na disputa, como Niltinho (PP).

Já Sargento Isidório não apareceu. Talvez alguém o tenha avisado que era incongruente um evangélico conservador participar de uma festa que “mistura” o catolicismo com as religiões de matrizes africanas, fés muito criticadas por neopentecostais.

Do lado de ACM Neto, havia uma expectativa de um destaque maior para Bruno Reis. Apesar de boa parte da militância e dos aliados estarem ao lado do vice, o protagonismo ainda coube ao prefeito.

Por ser o último ano dele no cargo na Lavagem do Bonfim, foi até natural esses holofotes concentrados no gestor.

No entanto, isso pode se tornar uma dificuldade extra para um pré-candidato que precisa se desvincular da imagem do padrinho ao mesmo tempo em que deseja manter esse vínculo.

É a lógica da sombra que deseja um lugar ao sol, mas que se ficar completamente à mostra pode deixar de existir.

Em resumo, o início do calendário político-eleitoral da Bahia foi aparentemente adiado. Agora é esperar o Carnaval para ver se os candidatos efetivamente passam a ocupar os espaços que almejam. As urnas, em outubro, são logo ali.

Fernando Duarte

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